POLÊMICA DO AMIANTO
04/11/2009 - DCI
O banimento do uso do amianto não acarretará perdas significativas resultantes da interrupção de sua produção.
Atualmente, 48 países proíbem a extração, produção, comercialização e utilização de todos os tipos de amianto, inclusive o crisotila, ou amianto branco, em função dos males que comprovadamente causam à saúde. O primeiro país a banir o amianto foi a Islândia, em 1983.
Em 1º de janeiro de 2005, a União Europeia determinou sua exclusão nos países que ainda não haviam adotado tal providência (Portugal e Grécia). Outros, como Alemanha e França, já o haviam banido havia cerca de dez anos.
Na América Latina, o Chile e a Argentina o proscreveram em 2001, o Uruguai, em 2002 e Honduras, em 2004, ao passo que El Salvador o havia feito quase duas décadas antes.
Na Ásia, o Japão e o Vietnã proibiram-no também, em 2004. A Austrália e a África do Sul haviam adotado a mesma medida um ano antes. O Brasil ainda não figura dentre esses países. Ainda assim, alguns estados brasileiros contam com leis que protegem a população dos males do amianto, como é o caso de São Paulo.
O Estado, objetivando prover a proteção da saúde, no exercício da competência concorrente que lhe é atribuída no art. 24, incisos V, VI e XII da Constituição Federal, editou a Lei 12.684, de 26 de julho de 2007. Esta proíbe o uso, nos limites do seu território, de produtos, materiais ou artefatos que contenham quaisquer tipos de amianto, ou asbesto, ou outros minerais que acidentalmente tenham fibras de amianto na sua composição.
No entanto, o Projeto de Lei 917, de 2009, de autoria do Deputado Waldir Agnello (PTB-SP) se apresenta com o objetivo declarado de estabelecer normas de transição para fins de aplicação da Lei paulista. A simples leitura de seus artigos, no entanto, deixa clara a intenção não de estabelecer normas de transição, mas de revogar a lei em vigor, retirando-lhe a eficácia. Em 1906, estudos científicos demonstraram que o amianto causa doenças graves, progressivas e incuráveis, como asbestose, uma fibrose pulmonar que pode levar ao óbito por asfixia.
Mais tarde, nas décadas de 1940 e1950, as fibras do amianto foram classificadas pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial de Saúde (OMS), como cancerígenas para os seres humanos. As mais sérias entidades que se debruçaram sobre o tema, como a Organização Internacional do Trabalho, a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Mundial do Comércio (OMC), há muitos anos reconhecem que todos os tipos de amianto, inclusive o crisotila, causam asbestose, mesotelioma e câncer do pulmão.
Não há limite seguro de exposição ao amianto, e seu uso controlado não é factível nem nos países desenvolvidos, muito menos naqueles em desenvolvimento. Por estas razões, tais entidades recomendam a substituição por outros materiais não nocivos à saúde humana. O Brasil conta com fibras alternativas que são inofensivas à saúde. No dia 13 de julho de 2004, o Ministério da Saúde, pela Anvisa, reconhecendo que as fibras alternativas (PVA -acetato de polivinila e PP -polipropileno) não são cancerígenas, até por não serem respiráveis, em função de suas dimensões, e expressamente recomendou sua utilização, na fabricação de produtos de fibrocimento, em substituição ao crisotila, que é reconhecidamente cancerígeno.
O Projeto de Lei 917, contrariando a Constituição Federal, a Convenção OIT 162 e até mesmo a lei que afirma regulamentar, no lugar de estabelecer normas de transição para o banimento do crisotila, busca, na verdade, salvar referido mineral, perenizando infinitamente sua utilização, mediante adoção de insuficientes medidas de proteção, circunscritas, diga-se, ao ambiente de trabalho.
A proteção à saúde, à dignidade, à vida constitui princípio fundamental. E mesmo os argumentos, meramente econômicos, lançados no PL 917 não se apresentam corretos. O banimento do uso do amianto não acarretará perdas significativas resultantes da interrupção de sua produção. A adaptação das linhas produtivas para a utilização de fibras alternativas é simples e pode ser realizada em curto período de tempo. Mais do que isto, parte significativa da indústria de fibrocimento já domina a tecnologia de produção com fibras alternativas e possui os ativos necessários para a adaptação de suas linhas produtivas.
Se a proteção da saúde, que é um dos elementares requisitos do respeito à dignidade da pessoa humana, e, se existe a possibilidade de eximir os trabalhadores da exposição aos riscos decorrentes do uso do amianto -dada a existência, no País, de sucedâneos hábeis e não agressivos à saúde-, nada mais justifica a utilização do crisotila, ante as desastrosas consequências que acarreta para a saúde humana. São Paulo deve ser exemplo para o Brasil não retroceder nesta questão.
Brasília , 28 de outubro de 2009 - 19h
Agência lança guias de farmacovigilância
Foi publicada nesta quarta-feira (28), no Diário Oficial da União (DOU), a Instrução Normativa nº 14, que aprova os guias técnicos de orientação aos detentores de registros de medicamentos, tais como as indústrias farmacêuticas e as importadoras de medicamentos, sobre a execução das ações de farmacovigilância.
As publicações trazem os requisitos que devem ser observados e seguidos pelas empresas no que se refere aos Planos de Farmacovigilância e de Minimização de Riscos e ao Relatório Periódico de Farmacovigilância. Trazem também um glossário dos termos utilizados e condições que devem ser observadas pelas empresas e vigilâncias sanitárias com relação às Boas Práticas de Inspeção em Farmacovigilância.
Os guias vão dar suporte aos detentores de registro de medicamentos para uso humano comercializados e distribuídos no Brasil. Essas empresas estão obrigadas a manter sistemas de farmacovigilância desde a publicação da RDC 4, de fevereiro de 2009 .Os requisitos contidos nos guias devem ser seguidos obrigatoriamente a partir de fevereiro de 2010.
Dentre as atividades realizadas pelos setores de farmacovigilância estão a detecção, a avaliação, a compreensão e a prevenção dos efeitos adversos ou quaisquer problemas relacionados aos medicamentos.
Conheça os guias.
Informações: Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa
ANTIBIÓTICO PODE ESTAR LIGADO A MALFORMAÇÕES
AP, CHICAGO
Ao investigar o uso de antibióticos durante a gravidez, pesquisadores americanos identificaram uma relação entre remédios muito usados no tratamento de infecções urinárias e defeitos de nascença. A penicilina, no entanto, droga mais usada no início da gestação, foi a que se mostrou mais segura.
Segundo especialistas, a própria infecção bacteriana, se não tratada, pode causar problemas ao feto. As mulheres, portanto, não devem evitar totalmente os antibióticos, mas discutir com seu médico qual é a opção que oferece menos risco.
O novo estudo, publicado na edição deste mês da revista Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, é a primeira grande análise do uso de antibióticos durante a gravidez e pode mudar as diretrizes para o tratamento de infecções urinárias em mulheres nessa condição.
DUAS CLASSES DE DROGAS
Os pesquisadores analisaram dados de 13 mil mães que tiveram filhos com malformações e de cerca de 5 mil que moravam na mesma região e tiveram filhos saudáveis. No primeiro grupo, o índice de mulheres que relataram ter usado dois tipos de drogas - as à base de sulfa, como Thiosulfil Forte e Bactrim, e as nitrofurantoinas, como Furadantin e Macrobid - foi maior.
Antibióticos à base de sulfa são os mais antigos e estudos com animais já indicavam um potencial risco à gestação. As nitrofurantoinas, no entanto, eram anteriormente consideradas seguras pelos médicos.
"É a primeira vez que foi identificada uma associação entre medicamentos para o trato urinário e defeitos de nascença", diz Krista Crider, geneticista do Centro de Controle e Prevenção de Doenças e principal autora do estudo. "Serão necessários estudos adicionais para confirmar esses resultados."
"A pesquisa é importante, pois avaliou drogas usadas há décadas sem que houvesse estudos mais amplos sobre sua segurança", afirma Michael Katz da Fundação March of Dimes, organização que tem como objetivo promover a saúde de bebês. "Alguns médicos não estão tão atentos ao assunto como deveriam, portanto, os pacientes têm o direito de questioná-los", afirma Katz.
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO – SP
ANVISA E DEPUTADOS CRITICAM INPI QUANTO A PATENTES DE SEGUNDO USO
Luiz Xavier
O posicionamento do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em relação a patentes de segundo uso despertou críticas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de deputados do governo e da oposição, em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família. Patentes de segundo uso são aquelas concedidas para medicamentos que já existem. É o que ocorre, por exemplo, quando cientistas descobrem que um medicamento para dor de cabeça tem efeitos no combate ao cálculo renal.
A Lei de Patentes (9.279/96) determina que só pode ser patenteada uma medicação que seja nova, mas não proíbe expressamente a patente de segundo uso. Por causa dessa lacuna na legislação, o INPI não atendeu à decisão de Grupo Interministerial de Propriedade Industrial (Gipi), que em dezembro de 2008 determinou que o segundo uso de medicamentos não deveria ser patenteado. Os ministérios e a Anvisa são contra as patentes de segundo uso, mas o presidente do INPI, Jorge de Paula Costa Ávila, divulgou parecer em que afirma que cabe ao Congresso alterar a lei para proibir esse tipo de patente.
"A manifestação da Procuradoria do INPI é que a lei atual não dá abrigo a nenhum tipo de rejeição, sem exame, de patentes de segundo uso, e outras formas de renovação incremental. É preciso examinar o pedido, o que não significa que será concedida", enfatizou Ávila.
O secretário-executivo do Gipi, Francelino Grando, destacou que desde o parecer do Gipi não houve nenhuma alteração na atuação do INPI quanto às diretrizes para a concessão das patentes de segundo uso. Ele avalia que a segurança jurídica solicitada pelo presidente do instituto não pode ser fornecida pelo Gipi, nem pela procuradoria do próprio INPI, mas sim pelo Congresso Nacional. "Aqui [no Congresso] está o locus adequado para a tomada de posição da sociedade."
Respondendo às críticas, o presidente do INPI manteve seu posicionamento favorável às patentes de segundo uso dizendo que o Gipi é menor que a lei.
INTERESSES PÚBLICO E PRIVADO
O coordenador de Propriedade Intelectual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Luis Carlos Wanderley Lima, questionou o parecer da procuradoria do INPI. "A posição do governo não mudou. Somos contrários a patentear medicamentos de segundo uso. Qual seria o interesse público em conceder essas patentes."
Wanderley Lima afirma que patente de segundo uso é patentear duas vezes o mesmo medicamento. "No entender da Anvisa, não há amparo legal para se conceder essa patente." Na visão do coordenador, a lei atual já permite a interpretação de proibir a patente de segundo uso, "O que atuaria mais em favor do interesse público do que do interesse privado". Ele lembra que no artigo 8º, a Lei de Patentes já prevê que somente serão patenteados os medicamentos que atendam ao critério de inventividade e novidade. "Como as moléculas já foram descobertas, não haveria nada de novo nesse pedido de patente."
Na opinião do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), os interesses das empresas privadas estão sendo privilegiados. "O Tesouro da União perde, encarece medicamento para o consumo do povo e depõe contra a saúde pública. Não tem necessidade dessa patente, não é novo, não é descoberta, não é invento. Essa postura só dá dinheiro para as multinacionais."
A coordenadora do Centro de Documentação em Inovação e Propriedade Intelectual do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, Cláudia Inês Chamas, avalia que a concessão de patentes de segundo uso causa danos à política de saúde pública brasileira, na medida em que dificulta o acesso aos medicamentos. "Estender o prazo de patentes desnecessariamente eleva o preço dos medicamentos e restringe a produção dos remédios." Ela destaca ainda que o regime de patentes se justifica quando se apresenta em harmonia com a política de desenvolvimento industrial e social de um país.
DISCUSSÃO NA CÂMARA
Com a indefinição jurídica, deputados apresentaram dois projetos de lei que alteram a Lei de Patentes, proibindo o licenciamento para o segundo uso de uma mesma substância (PLs 2511/07 e 3995/08).
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), autor do PL 3995/08, afirma que, enquanto as propostas tramitam no Congresso, o INPI deveria suspender essas patentes. "Já foi aprovado na Comissão de Seguridade Social, e portanto nós queremos aprová-la rapidamente. O que não pode deixar é um campo de indecisão, de omissão. Há um ano o GIPI decidiu e mesmo assim o INPI continua implementando políticas em desacordo com o que o governo decidiu."
A relatora da proposta, deputada Rita Camata (PSDB-ES), se disse perplexa com o fato de uma autarquia governamental não acatar uma decisão confirmada por vários ministérios e por comissões da Câmara.
TRAMITAÇÃO
Os projetos de lei que alteram a Lei de Patentes ainda precisam passar pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Constituição e Justiça e de Cidadania em caráter conclusivo.
Reportagem - Daniele Lessa
Edição - Regina Céli Assumpção
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')
Agência Câmara
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ARTIGO - MEDICAMENTOS IRREGULARES: CRIME DE QUEM PRODUZ E VENDE, RISCO PARA QUEM TOMA
Data: 04/11/2009
O medicamento é um bem social a serviço da humanidade. O seu fim é manter a saúde e curar a doença das pessoas, o que o associa à vida e lhe confere um sentido de grandeza. Por isso, o medicamento é um produto tão especial, que precisa cercar-se de cuidados, desde a pesquisa que levará à sua criação, até a sua chegada à farmácia, processo que envolve tempo (em torno de 15 anos) e dinheiro (aproximadamente US$ 1 bilhão). De sorte que ele não pode ser maculado, tornando-se objeto da ação de criminosos. Infelizmente, não é o que acontece. Malfeitores estão despejando toneladas de medicamentos irregulares, nas farmácias e drogarias do Brasil. Goiás não está fora da ação desses bandidos.
Entenda-se por irregulares os medicamentos falsificados, clandestinos ou sem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), vencidos e com validade remarcada, roubados etc. Ou pirateados. Seja como for, é obra de uma máfia impiedosa. A irregularidade envolvendo os medicamentos dissemina-se fartamente, no País, deixando um rastro de prejuízos à saúde e à economia.
O Ministério da Justiça repassou ao Conselho Federal de Farmácia (CFF) dados estarrecedores sobre o assunto. Os dois órgãos estão se aproximando, com vistas a desenvolver ações conjuntas de combate a esse crime. Mais ousada e criativa, a máfia, que já atuava em outros segmentos, encontrou nos medicamentos um novo nicho. Ora, vejam: se já é um produto que potencialmente oferece riscos, imagine quando é irregular.
Os medicamentos irregulares são comercializados, tanto em feiras ou nas ruas por ambulantes, quanto nos estabelecimentos farmacêuticos. A máfia age, atraindo os consumidores pelos baixos preços dos produtos.
O custo social da pirataria de qualquer produto é alto. Como a lucratividade da atividade criminosa aumenta, os sacoleiros estão sendo substituídos por redes do crime transnacional organizado. Com o dinheiro rápido que conseguem fazer, as máfias passaram a financiar atividades de maior potencial ofensivo, como o narcotráfico e o contrabando de munições. Prova é que a maioria das apreensões de produtos piratas tem, também, drogas, armas e munições. Vejam como a engrenagem do crime é bem azeitada.
A pirataria é um mal, sob todos os aspectos. O medicamento pode não fazer efeito no organismo e, por conseguinte, deixará de recuperar, de manter a saúde do paciente. Do ponto de vista econômico, o Brasil está deixando de arrecadar com a pirataria mais de R$ 30 bilhões, dinheiro que poderia ser revertido em gastos nas áreas da saúde e social e em políticas públicas de geração de emprego e renda. Segundo o Ministério da Justiça, se a pirataria acabasse, hoje, no Brasil, geraria dois milhões de empregos.
Em Goiás, a Decon (Delegacia de Defesa do Consumidor) já apreendeu, nos dois últimos anos, 500 mil unidades de medicamentos e cosméticos irregulares. Muitos, em farmácias, drogarias e indústrias clandestinas ou que produzem medicamentos sem autorização da Anvisa. A Vigilância Sanitária do Estado e de Goiânia, a Anvisa e a Política Federal vêm participando de várias dessas operações.
Entre os produtos apreendidos, encontravam-se os indicados para o tratamento da dificuldade de ereção (impotência), da obesidade e anabolizantes. Medicamentos para a impotência podem causar intoxicações, hipertensão e arritmia cardíaca e levar à morte. Os medicamentos indicados para a obesidade, quase sempre, contêm ansiolíticos que causam dependências física e psíquica. Já os anabolizantes provocam ginecomastia (crescimento das mamas no homem), falência renal grave, problemas cardíacos, importantes alterações de comportamento e vários tipos de deformação física.
Muitos dos produtos apreendidos viriam do Paraguai e entraram, no Brasil, ilegalmente. Ou seja, sem registro junto à Anvisa. Portanto, são medicamentos de origem desconhecida. Sequer se sabe que substâncias há dentro deles. Portanto, tomar um medicamento desses é por a vida em risco.
Aqui, eu faço o seguinte apelo à população de Goiás: procure, sempre, farmácias e drogarias onde está presente o farmacêutico. Ele é a sua segurança contra os medicamentos irregulares. Só o farmacêutico, dentro das farmácias, pode prestar-lhe orientações sobre o medicamento e evitar que um produto irregular chegue àquele estabelecimento.
O farmacêutico está cada vez mais preparado, técnica e cientificamente, para servir bem à sociedade. Além do mais, ele conta com o auxílio de programas de controle, como o SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados) e com a própria legislação, que diz que as farmácias somente podem adquirir medicamentos de laboratórios e distribuidoras cadastrados junto à Anvisa.
O meu apelo vai, ainda, para os proprietários de farmácia, auxiliares e balconistas: muito cuidado! Não se envolvam com medicamentos irregulares. No caso da falsificação, trata-se de crime hediondo. O medicamento não pode ser objeto da ação de bandidos. A população quer confiar nos produtos que ela está adquirindo. Vender um medicamento que não faz efeito é uma covardia abominável e o autor da ação merece ser penalizado no rigor da lei. Haveremos de vencer esta luta em nome da vida.
Fonte: Jornal O Popular
Autor: Jaldo de Souza Santos, Presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF). E-mail: presidencia@cff.org.br
ARTIGO - SUA EXCELÊNCIA, O ENSINO FARMACÊUTICO
Data: 03/11/2009
Quando assumi a direção do Conselho Federal de Farmácia, havia um grande descompasso entre o mesmo e as instituições de ensino farmacêutico. Essa lacuna gritante trazia prejuízos no ensino em relação à sociedade, o mercado e o sistema de saúde.
A demanda de serviços de saúde gerada pela sociedade aumentava e se diversificava na mesma velocidade; o mercado, muito mais competitivo, experimentava uma fase de expansão e modernidade, graças à tecnologia posta à sua disposição; e o sistema público de saúde mergulhava numa luta para fazer valer o princípio da universalidade no acesso aos serviços, consagrados pela Constituição Federal de 1988.
Por outro lado, o serviço privado de saúde, não menos exigente e competitivo, necessita de enxugar os seus custos e racionalizar o uso de produtos como o medicamento. O uso inadequado desse produto deriva em problemas de saúde, hospitalizações evitáveis e consequentes prejuízos.
Ora, quem era – e onde estava – o profissional a quem cabia tomar a dianteira e assumir a responsabilidade diante desses desafios? Era o farmacêutico, obviamente. Mas o ensino que o formava precisava sofrer profunda atualização, se quisesse colocar, no mercado, profissionais qualificados, técnica e cientificamente, além de dotá-los de conhecimento humanísticos e de consciência social.
O ensino, então, estava engessado, amarrado a um tecnicismo arcaico e, de certa forma, improdutivo, se pensarmos no atendimento das novas necessidades. Estavam prestes a ser aprovadas as diretrizes curriculares com a formação de três carreiras, dividindo a profissão em três profissionais distintos. Foi nessa oportunidade que nós intervimos junto ao Conselho Nacional de Educação, em uma audiência pública, impedindo a aprovação daquelas diretrizes, o que seria um grande erro. A falta de um norte era tão evidente, que havia curso com carga horária em torno de 2.200 horas/aula e outros, com cerca de 5.000 horas/aula.
Todos os envolvidos com o ensino (professores, coordenadores de curso, estudantes de Farmácia e especialistas) queriam mudanças, mas não sabiam como materializá-las, não encontravam um canal que desse fluidez ao processo transformador.
Então, consegui reunir, em Brasília, grandes excelências do ensino farmacêutico, em torno de uma discussão sobre a necessidade de empreender as mudanças. Elas resultaram nas atuais diretrizes que, entre outras determinações, implantou a formação generalista, ou seja, modificou o sistema tecnicista em um mais humanista, que formasse o profissional para todas as atividades, e não somente para as análises clínicas, preferidas pelos estudantes.
Aceitas as diretrizes pelo MEC, passamos a discuti-las em várias conferências de ensino farmacêutico, em Brasília, até a publicação de todo o conteúdo programático para a formação do farmacêutico, que culminou com o aumento da carga horária para 4.000 horas relógio (4.800 horas/aula), e cinco anos de curso. Ressalto que a nova carga horária foi, também, uma proposta do Conselho Federal de Farmácia, aceita e publicada pelo MEC.
Há dois meses, assinamos com o Ministério da Educação uma parceria pela qual o CFF fará as inspeções e avaliações da qualidade do ensino farmacêutico. Para isso, o Conselho, por intermédio de suas comissões especialistas, terá de analisar todos os cursos existentes e os que forem criados, com o objetivo de checar a qualidade de cada um; verificar o registro do profissional, sua inserção e ingresso no mercado, quando habilitados, para que estejam exercendo e atendendo à demanda existente; observar a respeitabilidade e credibilidade da instituição pela comunidade, pois não adianta existir vários cursos que nada possam acrescentar à sociedade. Eles são parte de um contexto social e, por conseguinte, precisam contribuir com algo.
O curso tem que ter um alto grau de relevância social que possa causar impacto para que, com isto, não fique com vagas ociosas e, ainda, sem projetos integrados. As diretrizes curriculares nacionais aplicadas no ensino farmacêutico têm de informar o que será aprendido, mas não como aprender. A metodologia aplicada deverá estar adequada à formação farmacêutica, não adiantando inovações, sem se considerar o perfil da formação.
Quando à infraestrutura, o curso precisa apresentar alto grau de inovação, acompanhado referencias fornecidas pelos projetos de parceria entre MEC e CFF, que irá indicar os laboratórios necessários para a formação do aluno, não adiantando a instalação de laboratórios que não influem na formação do farmacêutico.
O CFF apresentará uma avaliação, por meio de relatório técnico, com análise de oferta, demanda e serviço, dentro de um mérito qualitativo, com recomendação positiva ou negativa para o curso. Em verdade, agir no campo do ensino não é uma função precípua do Conselho Federal de Farmácia.
Mas não nos sentíamos confortáveis, diante da realidade apresentada nos cursos. Por isso, incorporamos esta responsabilidade, com o objetivo de cobrar das faculdades, mas principalmente ajudá-las a se adaptarem às mudanças que foram implantadas as quais, saliento, são o espelho da nova saúde brasileira. Desta forma, o ensino passou a formar um farmacêutico muito mais identificado com a sociedade.
Jaldo de Souza Santos é presidente do Conselho Federal de Farmácia
Fonte: DM
Autor: DM
BALANÇO POSITIVO DO II CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICAMENTOS
Data: 04/11/2009
Com a participação de autoridades e centenas de farmacêuticos e estudantes da área da saúde, encerrou-se, no dia 1º de novembro, no auditório do Parlamundi, em Brasília (DF), o “II Congresso Internacional de Medicamentos”. O evento foi realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum), com o apoio do Conselho Federal de Farmácia (CFF).
Foram debatidos, entre outros temas, os medicamentos genéricos, as patentes; a assistência farmacêutica, o Fundo Nacional de Assistência Farmacêutica; genoma, no Brasil; regulação de propaganda de medicamentos, pesquisas de novas drogas, e medicamentos e meio ambiente: o que fazer com o lixo medicamentoso?
Para o Conselheiro Federal de Farmácia pelo Distrito Federal, coordenador do Idum e organizador do Congresso, Antônio Barbosa, o evento cumpriu o seu objetivo de reunir representantes da área da saúde para debater o uso racional de medicamentos. “Só assim, podemos buscar a melhoria do acesso da população aos medicamentos e, por meio do debate, identificar o papel da sociedade, do Governo, do comércio e da indústria”, disse Barbosa.
O Presidente do CFF, Jaldo de Souza Santos, participou da solenidade de abertura do Congresso. Destacou a importância do evento em favor da assistência farmacêutica para todos. “É preciso lembrar sempre que existem milhões de brasileiros que não têm acesso algum a qualquer tipo de medicamento ou à orientação”, lamentou.
O “II Congresso Internacional de Medicamentos” é a continuidade da discussão iniciada, em 2002, quando foi realizado, na cidade de João Pessoa (PB), o “I Congresso Internacional de Medicamentos”. Mais informações encontram-se no site www.congressointermed.com.br
Fonte: CFF
Autor: Veruska Narikawa
05/11/2009 - 16h16
BRASIL E CUBA FECHAM ACORDO PARA PRODUÇÃO DE REMÉDIOS CONTRA ASMA
da France Presse, em Havana
Brasil e Cuba firmaram nesta quarta-feira (4) um acordo para a criação de uma empresa mista dedicada à produção do salbutamol, um medicamento utilizado no tratamento da asma.
"O salbutamol não é produzido no Brasil, que não tem esta tecnologia, mas Cuba tem", destacou o diretor da empresa farmacêutica EMS, Leonardo Sanches, que assinou o acordo.
Ele salienta que o acordo também prevê a compra de outros medicamentos cubanos, incluindo "biotecnológicos", e a venda de remédios brasileiros à Ilha.
O documento estabelece a venda inicial ao Brasil de "300 mil unidades" do salbutamol e a "criação de uma empresa mista" com capacidade para produzir "até 20 milhões de unidades" deste produto, explicou Sánches à imprensa.
Também assinaram o presidente da estatal cubana Quimefa, Jorge Carballo, na presença do ministro brasileiro da Indústria e Comércio, Miguel Jorge, e do ministro cubano do Comércio Exterior e Investimentos, Rodrigo Malmierca.
O ministro Miguel Jorge disse à imprensa que analisou com as autoridades cubanas outros três projetos, para modernizar uma fábrica cubana de vidro, criar uma fábrica de leite em pó ou longa vida, e para a fabricação de latas de alumínio.
"Temos relações culturais e econômicas e estamos estabelecendo sociedades importantes" com Cuba, comentou Miguel Jorge, ao ratificar o compromisso do Brasil em financiar a modernização do porto cubano de Mariel, o "mais importante" dos projetos bilaterais.
CUSTO DE PREVENÇÃO DA AIDS SERIA TRÊS VEZES MAIOR EM 2031
03/11/2009 - 08:48:35
Quando a epidemia da AIDS complete meio século em 2031 a despesa em tratamentos nos países em vias de desenvolvimento será de cerca de US$35 bilhões, o triplo do custo atual, indicaram hoje especialistas.
O economista Robert Hecht e uma equipe de pesquisadores publicaram os estudos sobre saúde e economia elaborados em 14 países em desenvolvimento na última edição da revista Health Affairs, produzida pela fundação People-to-People Health.
"Encaramos uma crise enorme", disse Hecht, diretor do Instituto Resultados para o Desenvolvimento, com sede em Washington.
"Mas temos uma oportunidade e uma obrigação de mitigar esta crise tomando agora as decisões sobre política pública difíceis mas necessárias", acrescentou.
Os pesquisadores sustentam que mediante investimentos em esforços de prevenção e tratamentos eficientes, os Governos poderiam cortar em mais da metade o custo de combater a pandemia causada pelo Vírus de Imunodeficiência Adquirida (HIV).
"Para o ano 2031 os fundos necessários para o tratamento da AIDS nos países em desenvolvimento poderia chegar à US$ 35 bilhões anuais, três vezes mais que o nível atual", assinala o artigo.
"E mesmo assim a cada ano haverá mais de um milhão de pessoas infectadas", acrescentou. "Atualmente há no mundo cerca 33 milhões de pessoas infectadas pelo HIV".
Se não há mudanças nas campanhas de prevenção na África "haverá mais de 10 milhões de pessoas sob tratamento em 2031, comparado com os 4 milhões agora", segundo estes estudos.
Os autores também exortaram às nações com renda média, incluindo Brasil, China, Índia e África do Sul, a que "se façam cargo de parte do custo do tratamento e prevenção do HIV a fim de liberar fundos para os países mais pobres, cujas economias serão terrivelmente afetadas pela doença".
Outro artigo na mesma publicação insta aos Governos e às autoridades sanitárias que passem de uma "resposta de emergência" a programas mais estruturados e de longo prazo para fazer frente à epidemia de AIDS.
"A resposta de emergência é adequada para um terremoto, mas é um esbanjamento ineficaz para uma epidemia que está conosco por mais de 25 anos", escreveu Stefano Bertozz, diretor de HIV na Fundação Bill e Melinda Gates.
O que se necessita, acrescentou Bertozzi, são programas de prevenção que realizem intervenções de longo prazo "desenhadas para a mudança das causas sociais fundamentais da transmissão" do HIV.
Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas de EUA, enfatizou que deve incrementar-se o financiamento global "para uma forte agenda de pesquisa que inclua desde vacinas a novas modalidades de prevenção".
Em sua opinião, as contribuições dos países ricos e de renda média "até agora foram limitadas".
Entre os novos enfoques e tecnologias que recomenda o artigo de Hetch está a circuncisão que, segundo o especialista, "demonstrou ser uma medida eficaz de prevenção" do contágio contra o vírus HIV.
Segundo Hecht "o impacto do uso de preservativo e os compostos microbicidas é modesto, limitado" na prevenção da infecção, mas mesmo assim ambos métodos profiláticos são recomendáveis.
"Embora a profilaxia prévia à exposição talvez não mude muito o panorama da AIDS globalmente, pode ser importante em países tais como o México, onde a epidemia se concentra entre homens que têm relações sexuais com homens e os usuários de drogas injetáveis", acrescentou.
EFE
DECISÃO DO GOVERNO AFETA AUTORIZAÇÃO DE NOVOS GENÉRICOS
Uma decisão do governo em favor do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) abre espaço para facilitar a concessão de patentes de medicamentos para grandes empresas da indústria farmacêutica, liberando menos remédios para laboratórios de genéricos. A medida pode, por isso, ter reflexos no bolso do consumidor.
A decisão foi tomada por meio de um parecer da Procuradoria-Geral Federal que limitou a atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na concessão de patentes de medicamentos. O documento, feito para resolver uma queda de braço que há anos se arrasta no governo, estabelece que o INPI deve atuar sozinho na análise dos pedidos. À Anvisa, agora, cabe só opinar sobre fatores relacionados a segurança e eficácia dos medicamentos.
Esse desfecho, na avaliação de defensores da atuação da Anvisa, pode facilitar a concessão indevida de patentes e, por tabela, barrar a produção de genéricos feitos desses medicamentos. "O INPI erra, usa critérios frouxos. Foi justamente por isso que a anuência prévia foi criada", afirmou o professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto.
Em sua defesa, o INPI diz que, por lei, é ele quem tem a atribuição para avaliar a concessão de patentes. "O argumento de que técnicos da Anvisa são competentes é, no mínimo, presunçoso. No INPI há pessoas de altíssimo nível e, o principal, com competência legal para fazer a análise", disse o procurador-geral do INPI, Mauro Maia.
RESTRIÇÕES DE DIREITOS
Prevista por lei em 2001, a anuência prévia determina que todos os pedidos de patente deferidos pelo INPI devam passar pelo crivo da Anvisa. Desde que essa prática foi adotada, de 1.346 autorizações de patentes concedidas pelo INPI, 106 foram barradas pela Anvisa por causa de irregularidades. E das 988 patentes confirmadas, em quase metade foram feitas restrições dos direitos que haviam sido concedidos pelo INPI.
"Somente com análise rigorosa conseguimos evitar pedidos improcedentes das indústrias. Não queremos barrar direitos legítimos, só impedir abusos", diz o coordenador de Propriedade Intelectual da Anvisa, Luis Carlos Wanderlei Lima. Ele argumenta que quanto menos patentes indevidas forem concedidas melhor para o mercado. "É só fazer as contas: um produto genérico custa em média 35% a menos do que um de marca."
O parecer, divulgado há menos de um mês, veio para tirar dúvidas que tinham surgido em outro parecer ratificado pela Advocacia-Geral da União. O primeiro documento determinava que tanto Anvisa quanto INPI deveriam atuar nos processos de acordo com suas atribuições. Mas não dizia quais. "O novo parecer não retira poderes da Anvisa. Ele apenas torna clara quais são suas atribuições: avaliar a eficácia e segurança do medicamento", diz o procurador-geral federal, Marcelo de Siqueira Freitas.
A Anvisa vai pedir reconsideração. Para Lima, a segurança e eficácia do remédio não podem ser avaliadas no momento da análise da patente.
QUEDA DE BRAÇO
2001: O papel da Anvisa
Por determinação da Lei 10.196, a Anvisa passa a analisar processos de patentes de medicamentos. Após o pedido ser deferido pelo INPI, a Anvisa pode: concordar com a concessão da patente, negá-la, restringir o pedido ou pedir informações. Desde então, 1.346 pedidos de patentes concedidas pelo INPI foram examinados: 106 foram negados e 988, aceitos - em cerca de 50% dos casos, as patentes concedidas limitaram o que o INPI havia autorizado
2006: Atuação restrita
Parecer da Consultoria Geral da União determina que Anvisa passe a restringir sua análise aos riscos à saúde
2008: No Congresso
Proposto no Congresso projeto que acaba com a anuência prévia (mecanismo que obrigava a participação da Anvisa na análise dos pedidos de patente farmacêutica)
2009: Nova restrição
Parecer da Procuradoria-Geral Federal restringe atuação da Anvisa: anuência prévia deve se focar na análise de eventual risco à saúde provocado pelo novo produto
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO – SP
04/11/2009 - 07h51
DEMÊNCIA É TAMBÉM UMA DOENÇA FÍSICA, MOSTRAM ESPECIALISTAS
do New York Times
A demência é muitas vezes vista como uma doença da mente, uma enfermidade que apaga memórias queridas, mas deixa o corpo intacto.
Porém, a demência também é uma doença física --uma doença progressiva e terminal que 'desliga' o corpo enquanto ele ataca o cérebro. Embora os estágios iniciais possam durar vários anos, a expectativa de vida de um paciente com demência avançada é similar à de um paciente com câncer avançado.
A falta de conhecimento sobre os danos físicos da demência significa que muitos pacientes perto do fim da vida estão sujeitos a tratamentos agressivos que nunca seriam considerados com outra doença terminal. Pessoas com demência em estágio avançado muitas vezes passam por diálises e são colocadas em respiradores; elas até podem receber cuidados preventivos que possivelmente não podem ajudá-las, como colonoscopias e medicamentos para osteoporose ou colesterol alto.
"Nas unidades de tratamento intensivo da maioria dos hospitais você encontra pessoas com demência recebendo tratamentos bastante agressivos", disse Dr. Greg A. Sachs, chefe de medicina interna geral e geriatria da Indiana University School of Medicine.
O foco continuado no tratamento para prolongar a vida geralmente significa que o alívio da dor é inadequado, e sintomas como confusão e ansiedade pioram. Um novo estudo sugere que os familiares teriam muito menos tendência a submeter seus parentes queridos a esse tratamento se tivessem uma compreensão melhor sobre a demência como uma doença progressiva e debilitante que acaba "desligando" o corpo após anos de deterioração mental.
Pesquisadores de Harvard recentemente acompanharam 323 residentes de 22 casas de repouso. Todos apresentavam demência no estágio final, ou seja, eles já não reconheciam familiares, não conseguiam falar mais que seis palavras, eram incontinentes e viviam deitados na cama. Durante o período de estudo, 18 meses, mais da metade dois pacientes morreu.
Durante os três últimos meses de vida, 41% dos pacientes receberam pelo menos um tratamento "pesado", como transporte até a emergência, hospitalização, tubos de alimentação ou tratamentos intravenosos. Pacientes com demência avançada em especial têm tendência a infecções por causa da incontinência, risco de feridas provocadas pelo tempo deitado na cama, uma fraca resposta do sistema imunológico e incapacidade de descrever sintomas.
Quando os pesquisadores observaram com maior profundidade as razões para as decisões de tratamento, descobriram diferenças acentuadas baseadas no que os familiares sabiam sobre a demência. Quando eles sabiam da sua natureza progressiva e terminal, apenas 27% dos pacientes receberam cuidados agressivos. Para familiares que não entendiam a doença, o percentual foi de 73%.
"Quando os familiares entendiam o curso clínico da demência e o prognóstico desfavorável, os pacientes tinham muito menos chances de serem submetidos a intervenções dolorosas", disse a principal autora do estudo, Dra. Susan L. Mitchell, cientista sênior do Institute for Aging Research of Hebrew SeniorLife, em Boston. "A demência é uma doença terminal e precisa ser reconhecida como tal, para que esses pacientes recebam melhores cuidados paliativos."
O estudo também descobriu que o controle da dor muitas vezes era inadequado. Um em cada quatro pacientes claramente sofria com dores, mas esse número pode minimizar o problema, pois os pacientes não podiam falar sobre o que sentiam.
Sachs, da Indiana, observa que o cuidado a pacientes com demência mudou muito pouco nos últimos 30 anos. Quando adolescente, ele viu sua avó se degenerar com o mal de Alzheimer. Nos seus últimos meses de vida, ela foi tratada várias vezes contra infecções e sedada para controlar a agitação.
"Ver minha avó naquele estado foi tão doloroso que minha mãe acabou deixando de levar os netos para visitá-la", escreveu Sachs semana passada, em um editorial no The New England Journal of Medicine. "Minha avó recebeu poucos cuidados para aumentar seu conforto ou companhia no fim da vida. No meu treinamento médico, aprendi como os meses finais da minha avó eram comuns para pessoas que morrem de demência."
Um relatório de 2005 da Alzheimer's Association mostrou tendências problemáticas em relação aos cuidados no final da vida. Em uma análise abrangente da literatura média, os pesquisadores descobriram que 71% dos residentes de casas de repouso com demência em estágio avançado morreram em seis meses a partir da internação, embora apenas 11% tenham sido referidos a cuidados paliativos, que foca no conforto e não no tratamento ativo.
Simplesmente transferir um paciente de demência da casa de repouso para o hospital pode levar a confusão, quedas ou piora na alimentação --que, por sua vez, muitas vezes levam a tratamentos ainda mais agressivos.
Geriatras afirmam que grande parte do problema é que os pacientes não conseguem expressar seus desejos. Na ausência de um testamento em vida, membros da família muitas vezes sofrem com a culpa e têm medo de interromper tratamentos agressivos porque não querem ser vistos como pessoas que abandonam seu familiar querido em uma degeneração mental.
Sachs afirma que os médicos precisam investir mais tempo explicando o prognóstico da demência avançada, tornando claro que os cuidados paliativos não significam menos cuidados.
"Não estamos falando de tratamento agressivo versus nenhum tratamento", disse ele. "Os cuidados paliativos são intensivos, atenciosos e focados no gerenciamento dos sintomas e no apoio ao paciente e à família. Não é um cuidado menor."
ELEITA A PRIMEIRA DIRETORIA DA SBFC
A Sociedade Brasileira de Farmácia Comunitária (ABFC), fundada, em 2009, elegeu a sua primeira Diretoria (definitiva), no dia 22 de outubro, durante a sua assembléia geral, realizada, em São Luiz (MA). Foram eleitos para Presidente, Amilson Álvares(TO); Vice- presidente, Marise Girão (CE); 1º Secretária, Mary Jane Limeira (MA); 2ª Secretária, Carmem Iris Tolentino (TO); 1º Tesoureiro, José Vilmore (PI); e 2º Tesoureiro, Djalma Lobato (RS)
Mais uma conquista do Amilson Alvares, que assume um mandato de três anos à frente de um contingente de mais de 80 mil profissionais que atuam em farmácias comunitárias e que poderão se associar à SBFC. Para o novo Presidente, a criação da Sociedade é de extrema importância para a profissão, pois representa a área da farmácia com o maior número de profissionais. “Tínhamos a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), a Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (Sbrafh) e a Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), mas não tínhamos uma entidade para representar o farmacêutico que está atuando, na farmácia, seja pública ou privada. A partir de agora, a SBFC lutará por melhores salários, condições de trabalho e capacitação para o farmacêutico”, afirma.
A gestão de Álvares começa com a melhoria do acesso aos serviços oferecidos pela Sociedade, que terá a sede transferida de Porto Alegre (RS) para Brasília. De acordo com o Presidente, essa é uma das formas de facilitar parcerias com entidades ligadas à profissão, como o próprio CFF. “O objetivo principal da entidade é disseminar o conhecimento, através de congressos e outros eventos, e a localização dos nossos serviços é fator essencial para que o contato fique mais estreito com essas entidades que podem contribuir positivamente com nossas ações”, explica Álvares.
A implementação e consolidação da SBFC acontece, num momento importante para o farmacêutico, especialmente os que trabalham no segmento das farmácias comunitárias (drogarias, farmácias públicas e farmácias com manipulação), pois, em agosto de 2009, foi publicada a RDC nº 44 da Anvisa.
A RDC nº 44 normatiza as boas práticas na farmácia comunitária, como a proibição da venda de quaisquer outros produtos que não sejam autorizados por Lei, como medicamentos correlatos e outros permitidos pela Anvisa, e define, ainda, a realização de serviços, como aferição de pressão arterial e dosagem de glicose em auto-teste “Assim, o profissional tem que estar ainda melhor preparado para atender o usuário, porque, agora, a farmácia tem uma finalidade clara: dispensar medicamentos com orientação ao paciente. E é para qualificar nossos farmacêuticos que vamos direcionar o trabalho da Sociedade”, esclarece o Presidente.
SAIBA MAIS
A SBFC foi fundada, no dia 3 de abril de 2009, durante o VI PharmaRS, realizado de 2 a 4 de abril, na cidade de Bento Gonçalves (RS), e teve como gestor interino, entre abril e outubro de 2009, o Presidente do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul, Juliano Sofia. A Sociedade conta, hoje, com sete regionais nos Estados do Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Sul, Piauí, Goiás, Ceará e Sergipe, e em breve, estará em todo País.
Para fazer parte dos benefícios da Sociedade, o profissional deve procurar a regional do seu Estado. “Uma das nossas metas é levar qualificação profissional para o maior número de farmacêuticos, em todas as regiões do País, mas, para isso, precisamos da colaboração dos profissionais, fazendo sua adesão”, reforça Álvares.
Mais informações pelo e-mail: amilsonalvares@yahoo.com.br
Fonte: CFF
Autor: Veruska Narikawa, com informações de Shelsea Shasmila
EMS MANTÉM LIDERANÇA NACIONAL COM FATURAMENTO 23,5% MAIOR NO TRIMESTRE
03/11/2009 - DCI
A Indústria brasileira EMS, líder no mercado farmacêutico nacional há três anos, registrou no terceiro trimestre de 2009 um crescimento de 23,5% em faturamento em comparação com o mesmo período do ano passado. O índice superou os 15,7% registrados pelo setor. Em unidades produzidas, a empresa também avançou 17,7% no período ante 9,4% do mercado. A divisão EMS Genéricos apresentou um crescimento de faturamento da ordem de 31,1% e a divisão EMS Consumo de 36,8%.
Na avaliação do vice-presidente de mercado da EMS, Waldir Eschberger Junior, esse crescimento deve-se a algumas ações desenvolvidas nas áreas de prescrição e de consumo. Na área de prescrição a EMS desenvolveu estratégias neste ano de aproximação com a classe médica recebendo a visita de aproximadamente 1000 médicos para conhecerem a empresa e que tipo de produto está sendo produzido. Paralelo a isso a EMS tem desenvolvido três estudos de mercado, entre eles, uma ação envolvendo a Unicamp e a Sociedade Brasileira de Cardiologia referente à síndrome metabólica. "Além dessa aproximação com a classe médica, houve também uma mudança que fizemos de processos, ou seja, a gente reestruturou as empresa internamente gerando uma série de vantagens competitivas que não se tinha no passado melhorando a nossa eficiência", explica.
A linha de medicamentos genéricos é responsável pela maior parte de vendas da empresa. O diretor de Marketing de Genéricos, Marco Miguel, revelou que em fevereiro desse ano foi criado um portal do medicamento genérico intitulado "Na farmácia", voltado à classe farmacêutica, no qual os profissionais se cadastram com o registro no Conselho Regional de Farmácia para ter acesso ao portal. Nele o profissional tem acesso a informações de medicamentos genéricos e também informações científicas para a capacitação profissional. O portal já registrou mais de 60 mil acessos.
ESTUDO VINCULA DEPRESSÃO A ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS
Da BBC
Um estudo realizado por uma equipe de pesquisadores da University College London, na capital britânica, indica que dietas ricas em alimentos industrializados aumentam o risco de depressão.
Em contrapartida, afirmam os pesquisadores, pessoas que comem legumes, verduras, frutas e peixe em abundância apresentam riscos menores de sofrer da condição.
O estudo, descrito na revista científica "British Journal of Psychiatry", analisou informações sobre a dieta de 3,5 mil funcionários públicos britânicos e, cinco anos mais tarde, monitorou a ocorrência de depressão no grupo.
Segundo a equipe de pesquisadores, este é o primeiro estudo a vincular a dieta dos britânicos com a depressão.
Os especialistas dizem, no entanto, que - embora não seja possível excluir a possibilidade de que pessoas com depressão talvez tenham dietas menos saudáveis - é pouco provável que a alimentação seja a razão por trás dos resultados porque não foi identificada uma relação entre dieta e diagnósticos prévios de depressão.
MÉTODO
Os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos de acordo com o tipo de dieta que seguiam.
Em um grupo ficaram os que consumiam alimentos integrais, frutas, legumes e peixe. No outro, os que comiam principalmente alimentos industrializados, como sobremesas açucaradas, alimentos fritos, carne industrializada, cereais refinados e produtos laticínios ricos em gordura.
Após levar em conta fatores como sexo, idade, educação, atividade física, doenças crônicas e o hábito de fumar, os especialistas identificaram uma diferença significativa em riscos futuros de ocorrência de depressão nos grupos.
Os que comiam mais alimentos integrais apresentaram 26% menos riscos de desenvolver depressão do que os que consumiam menos alimentos integrais.
Em contraste, os que comiam mais alimentos industrializados apresentaram 58% mais riscos de desenvolver depressão do que os que comiam poucos alimentos industrializados.
DIETA MEDITERRÂNEA
A autora do estudo, Archana Singh-Manoux, diz que é possível que os resultados sejam explicados por um fator ligado ao estilo de vida dos participantes que não tenha sido levado em consideração pelos especialistas.
"Houve um estudo mostrando que a dieta mediterrânea estava associada a riscos menores de depressão, mas o problema é que, se você vive na Grã-Bretanha, a probabilidade de você seguir uma dieta mediterrânea não é muito grande", afirma a pesquisadora.
"Então, nós queríamos observar de forma diferente as associações entre dieta e saúde mental", acrescenta.
Ainda não está claro por que alguns alimentos podem proteger contra ou aumentar os riscos de depressão, mas os cientistas avaliam que talvez haja um vínculo entre dieta, inflamações e condições como doenças cardíacas.
"Esse estudo se soma a um conjunto já sólido de pesquisas que mostram associações fortes entre o que comemos e nossa saúde mental", diz o diretor da entidade britânica Mental Health Foundation, Andrew McCulloch.
"Estudos como esse são cruciais porque são a chave para que tenhamos uma compreensão melhor da doença mental."
McCulloch acrescenta que as dietas das pessoas estão se tornando cada vez menos saudáveis. "A população da Grã-Bretanha está consumindo menos produtos frescos e nutritivos e mais gorduras saturadas e açúcares", afirma.
"Estamos particularmente preocupados com os que não podem ter acesso a alimentos frescos ou moram em áreas onde existe um número alto de restaurantes de fast food e comida para viagem."
Fonte: G1
FALTA DE SOL, CÁLCIO E VITAMINA D
04/11/2009 - Correio Braziliense
Jornalista: Márcia Neri
À medida que a expectativa de vida dos brasileiros aumenta, crescem os casos de osteoporose. Embora atinja mais mulheres, a doença metabólica mais comum no mundo não é exclusivamente feminina.
O aumento da expectativa de vida do brasileiro tem sido acompanhado por uma epidemia silenciosa, que pode ganhar maiores proporções nas próximas décadas. A vilã, conhecida como osteoporose, compromete a qualidade de vida de uma em cada três mulheres acima de 50 anos e contabiliza, atualmente, pelo menos 10 milhões de vítimas em todo o Brasil. Especialistas alertam que a pouca ingestão de cálcio e os baixos níveis de vitamina D (1)no sangue da população infantil indicam que as crianças de hoje são fortes candidatas a sofrerem do mal em um futuro próximo.
A osteoporose é a doença metabólica mais comum em todo o mundo. Ela afeta os ossos, deixando-os mais fracos e propensos a sofrerem fraturas. Não existem estudos epidemiológicos que comprovem o aumento da incidência no país, mas a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) não tem dúvidas: o número de vítimas do mal já configura um problema de saúde pública. A doença não é letal, mas as fraturas decorrentes do enfraquecimento ósseo podem levar o paciente à morte. As mais comuns são as de quadril, vértebras e fêmur (osso da coxa). Estudos sugerem que a primeira ruptura ocorre um ano depois do aparecimento da patologia, que é praticamente assintomática. Cerca de 200 mil pessoas morrem por ano no Brasil em decorrência dessas fraturas. “Menos de 10% das pessoas que quebram o fêmur, osso mais resistente do corpo humano, recebem diagnóstico e tratamento para a doença”, revela a presidente do Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral da SBEM, Victória Borba.
Idade avançada, histórico familiar, alimentação pobre em cálcio, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo e baixo índice de massa corporal são fatores de risco. A menopausa também está entre as causas mais comuns, pois a falta de estrogênio reduz a composição óssea. A reumatologista Ana Patrícia de Paula explica que o esqueleto, além de promover sustentação ao corpo, é fonte de cálcio para funções importantes, como batimentos cardíacos e força muscular. “É uma estrutura viva, que está em constante renovação. Sua destruição e reconstrução ocorre simultaneamente em diferentes partes do esqueleto”, assegura.
HOMENS
A osteoporose é o desequilíbrio desse processo. A remodelação óssea não consegue acompanhar a absorção do cálcio pelo organismo, caso o elemento não tenha sido armazenado ao longo da vida. A médica ressalta que, apesar de mais comum entre as mulheres, a doença não é exclusivamente feminina. Os homens sofrem com o problema, mas em idade mais avançada e com um agravante: o mal geralmente vem acompanhado de outras patologias comuns em idosos. “As fraturas são mais graves entre os homens, o que faz com que a taxa de mortalidade decorrente dessas rupturas seja maior entre eles”, observa Ana Patrícia.
As mulheres também são mais cuidadosas. Depois que descobrem a doença, passam a monitorá-la atentamente. É o caso da dona de casa Odete Chinchilla, 78 anos. Três décadas depois de ter recebido o diagnóstico pelas mãos de uma ginecologista, ela confessa ter sofrido várias fraturas. No entanto, conseguiu se recuperar de todas e faz questão de curtir a terceira idade ativamente, seguindo a dieta recomendada e exercitando-se dentro do possível. “Tinha pouco mais de 50 anos quando a osteoporose chegou em minha vida. A médica se assustou com a perda óssea avançada para a minha idade. A menopausa agravou a doença”, conta. De lá para cá, Odete fraturou a coluna virando na cama, quebrou o joelho, os pés, as costelas e sofreu com as dores decorrentes dos acidentes. “Tive infância saudável, mas sou muito clarinha e baixinha, e isso é um fator de risco, sem contar que sempre tomei muito refrigerante, o que também colaborou”, confessa.
Para Francisca Maria da Silva, 57 anos, a osteoporose foi uma surpresa. Voluntária do Centro do Idoso do Hospital Universitário de Brasília (HUB), ela nem chegou a desconfiar da doença. “Uma médica suspeitou da minha postura curvada e pediu um exame, que não deixou dúvidas. Desde então, tomo medicamentos para repor o cálcio e tenho mais cuidado com a alimentação. Bebo muito leite, como queijo e folhas verdes e tento prevenir as quedas. Tem dado certo. Graças a Deus, não tive nenhuma fratura ainda”, comemora.
PREVENÇÃO
A osteoporose é comprovada por meio da densitometria óssea, exame de imagem que faz uma varredura na coluna e no fêmur do paciente. Abaixo dos 40 anos, a doença é rara e quando ocorre é preciso investigar causas secundárias do enfraquecimento ósseo. Indivíduos asmáticos, com doença celíaca, usuários crônicos de corticosteroides estão mais expostos ao mal. As drogas disponíveis não curam, mas previnem as fraturas. O próprio cálcio, vitamina D, medicamentos formadores de massa óssea ou antirreabsortivos, que não deixam o osso se desgastar e promovem a absorção de cálcio, fazem parte do arsenal.
A prevenção, porém, é a melhor arma. Ela é possível com boa alimentação, composta de leite e seus derivados, e exposição solar saudável. “As crianças de hoje não comem bem, não brincam, não recebem os benefícios dos raios solares. Em Curitiba, uma pesquisa detectou que 40% delas em idade escolar têm insuficiência de vitamina D, o que nos leva a acreditar que a epidemia de osteoporose pode ganhar força nas próximas décadas”, lamenta a representante da SBEN, Victória Borba.
1 - NECESSIDADE DE SOL
A vitamina D promove a absorção de cálcio, essencial para o desenvolvimento de ossos e dentes, e para coração, cérebro e pâncreas. A substância não é encontrada pronta na maioria dos alimentos, mas sintetizada a partir de uma proteína existente no organismo — o calciferol —, com ajuda da exposição solar. Funciona assim: ao ingerirmos a pró-vitamina D dos alimentos, precisamos da radiação ultravioleta para transformá-la em vitamina D. Por isso, pessoas com restrições de exposição solar precisam reforçar as fontes dessa vitamina no cardápio.
GOVERNO VAI LIBERAR R$ 98,3 MILHÕES PARA AMPLIAR ASSISTÊNCIA A USUÁRIOS DE ÁLCOOL E DROGAS
04/11/2009 - O Globo
O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira um pacote de medidas para ampliar a assistência a usuários de álcool e drogas no país e que pretende melhorar o atendimento de pacientes com transtornos mentais. No total, o investimento em recursos novos será de R$ 98,3 milhões.
O ministro José Gomes Temporão assinou portarias que aumentam em até 31,85% o valor das diárias pagas por paciente internado em hospitais psiquiátricos e gerais. A medida também habilita 73 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e cria incentivo financeiro para internações curtas (até 20 dias) de pacientes em crise.
Em junho deste ano, o ministro já havia anunciado outros R$ 117 milhões para o Plano Emergencial de Ampliação do Acesso para Tratamento de Álcool e Drogas (PEAD 2009-2010). Somando os novos recursos, os investimentos para o setor chegam a R$ 215,3 milhões. As portarias foram publicadas no Diário Oficial da União, na sexta-feira passada.
O valor das diárias de internação em hospitais gerais vai passar de R$ 42,47 para R$ 56. Segundo o Ministério da Saúde, o impacto anual do reajuste será de R$ 9,6 milhões. Atualmente, há 2.573 leitos psiquiátricos nestas unidades. A expectativa do Ministério é de que, com o reajuste, os hospitais gerais criem cerca de 2.300 leitos em saúde mental.
As novas diárias nos Hospitais Psiquiátricos, por sua vez, vão variar de R$ 35,58 a R$ 49,70. Atualmente, esses valores oscilam de R$ 29,90 a R$ 45,21. O reajuste, neste caso, vai variar de 10% a 20% e terá um investimento de R$ 62 milhões.
MEDICAMENTOS VÃO GANHAR SISTEMA DE SEGURANÇA CONTRA FALSIFICAÇÕES
Do G1, com informações do Jornal Nacional
Embalagens de remédios serão rastreadas desde a fábrica.
Consumidor poderá acessar informações do produto.
Os medicamentos vendidos no Brasil vão ganhar um sistema de segurança contra falsificações. A tecnologia vai permitir rastrear por onde os remédios passaram até chegar ao consumidor.
O sistema será similar ao usado em alguns supermercados, em que frutas e verduras têm um número, uma espécie de RG, com o qual o consumidor pode checar na internet onde foram produzidos.
Na indústria química, a preocupação é evitar falsificações e contrabando. Um lacre com uma etiqueta antifraude, que tem selo holográfico e código de barras, é a aposta para reverter perdas de US$ 20 milhões ao ano.
Com um leitor ótico, é possível saber se o produto é autêntico e quando e onde foi fabricado.
"Esse cliente tem a segurança de saber que aquele produto foi produzido pelo fabricante original, para que ele não seja alvo de comprar um produto falsificado, um produto roubado", diz Eduardo Leluc, diretor de uma indústria química.
A indústria farmacêutica também confia nesse sistema para acabar com o comércio ilegal. No primeiro semestre deste ano, foram apreendidas 316 toneladas de medicamentos falsificados, sete vezes o que se recolheu no mesmo período de 2008 (45,5 toneladas).
A partir de janeiro, todos os medicamentos fabricados no país também poderão ser rastreados pelo consumidor para evitar a falsificação. As mais de 2 bilhões de embalagens produzidas por ano terão que sair da indústria com uma identificação, um código único, que vai permitir localizar o medicamento e revelar o caminho percorrido por ele.
Na primeira fase, as fábricas, distribuidores e farmácias terão que instalar o sistema de rastreamento. Cada vez que o remédio trocar de mãos, a mudança fica registrada em um banco de dados administrado pelo governo. Se o consumidor desconfiar que comprou um remédio falsificado, poderá tirar a dúvida rapidamente.
A mudança vai exigir investimento das empresas e o governo avisou que não vai permitir repasses ao consumidor.
Um fabricante apoia a medida, mas teme não se adaptar a tempo porque a Vigilância Sanitária não definiu a tecnologia que será usada.
"Nossos fornecedores não têm capacidade instalada pra fazer o atendimento de todas as indústrias em um tempo curto que a Anvisa está determinando", diz Márcio Valentim, engenheiro de produção.
Em 2012, o sistema vai identificar também o médico que receitou o remédio e o paciente que o comprou. A Anvisa diz que haverá um sistema seguro para garantir o sigilo de médicos e pacientes e que trabalha dentro do prazo para regulamentar a lei.
NOBEL DE MEDICINA DIZ QUE EFEITO DA VACINA CONTRA GRIPE A SERÁ CURTO
04/11/2009 - 08:32:37
O prêmio Nobel de Medicina de 2008, o alemão Harald zur Hausen, disse hoje que o efeito protetor da vacina contra a gripe A que está sendo aplicada atualmente em muitos países será "pontual" e será necessária outra imunização em um curto espaço de tempo.
No entanto, recomendou o uso da vacina por considerá-la "conveniente e efetiva", disse em entrevista coletiva em Havana junto ao Prêmio Nobel de Química de 1988, Robert Huber, também alemão.
Comentou que é provável que a vacina proteja por um tempo "curto" e que após um ano, aproximadamente, seria necessária "outra vacinação".
Hausen recomendou imunizar especialmente crianças e mulheres grávidas, por serem os mais ameaçados pelo vírus AH1N1.
O ganhador do Nobel de Medicina de 2008 - por seu descobrimento do vírus do papiloma humano - assiste em Havana a um congresso Biotecnologia.
EFE
OFERTA DE UNIDADES PARA CONGELAR SANGUE DO CORDÃO UMBILICAL DEVE CRESCER NO PAÍS
03/11/2009 - 08:37:53
Até 2011, o Brasil deve ampliar em quatro vezes a atual capacidade da rede pública de armazenamento do sangue retirado do cordão umbilical. O material serve de fonte de células-tronco para transplante de medula óssea, tratamento indicado na cura de doenças que afetam o sangue como, por exemplo, leucemia e linfoma.
Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde, a meta é aumentar a oferta, estimada hoje entre 12 mil e 13 mil bolsas, para um total de 50 mil.
De acordo com a assessoria de imprensa do Inca, os Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (BSCUP) que formam a rede Brasilcord serão expandidos por meio de um programa a ser desenvolvido com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A unidade mais recente, de Santa Catarina, ainda não foi inaugurada oficialmente, mas já está em funcionamento. As demais são as do próprio Inca, onde foi aberto o primeiro banco do país em 2001, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, no interior paulista.
Dados do Inca indicam que as chances de o receptor brasileiro encontrar um doador com características genéticas compatíveis dentro do próprio país são 30 vezes maiores do que no exterior.
Para a geneticista do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), Mayana Zatz, o Brasil, no entanto, deveria ter também uma rede pública de armazenamento para conservar, além do sangue, o próprio tecido do cordão umbilical “que é muito mais rico em células-tronco”. Ela lembra que para guardar o sangue coletado do cordão umbilical, as pessoas estão pagando entre R$ 4 mil e R$ 5 mil.
Essas mesmas pessoas poderiam armazenar o próprio cordão, defende a pesquisadora, prevendo a descoberta, no futuro, de alternativas para a cura de doenças a partir desses descartes humanos e que são objeto de seu trabalho científico. O lado ruim seria deixar uma parte da população de fora desses avanços, acrescenta, justificando que nesse caso a saída seria a criação de bancos públicos.
Nem todo o material preservado hoje tem aproveitamento, diz o biofísico Sérgio Verjovski, da USP, parceiro de Zatz no estudo das possibilidades de uso das células-tronco. Com base nas experiências que desenvolve, ele informou que em apenas 10% das amostras coletadas do sangue do cordão umbilical foram identificadas células-tronco, enquanto que nas paredes do tecido do cordão detectou-se uma localização plena.
Na análise do sangue retirado de 60 pessoas, só em seis havia células-tronco, mas quando realizada a análise sobre as paredes do cordão, todos apresentavam essas células. Verjoviski informou ainda que as experiências indicam que o conjunto de gens encontrados pode vir a formar diferentes tecidos como neurônios, fígado, ossos e músculos, por exemplo.
Caso as pesquisas em fase pré-clínica venham a atingir o resultado esperado, elas poderiam auxiliar tanto no tratamento de lesões da medula quanto em sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), regenerar músculos ou ser uma alternativa para outros casos de lesões irreversíveis em vítimas de acidentes e mesmo no mal de Parkinson.
Agência Brasil
Brasília , 3 de novembro de 2009 - 10h45
SISTEMA VAI TRAÇAR PERFIL DA SITUAÇÃO SANITÁRIA DO BRASIL
Quantas farmácias existem no seu município? Quando os alvarás sanitários dos restaurantes e supermercados da sua cidade irão expirar? Essas e outras informações estão disponíveis para órgãos de saúde de todo país no Sistema Nacional de Informação em Vigilância Sanitária (Sinavisa).
O sistema, coordenado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é uma ferramenta de gestão presente em mais de 1,4 mil municípios e 25 estados de todos o Brasil. “O Sinavisa permite
que as autoridades sanitárias locais cadastrem estabelecimentos, programem inspeções, acompanhem a qualidade dos produtos que circulam no município e organizem planos de ação”, explica Luiz Armando Erthal, diretor adjunto da Anvisa.
Outro instrumento do sistema é o alerta sanitário. “Quando for identificado algum desvio de qualidade em um alimento, por exemplo, os órgãos de vigilância sanitária que utilizam o Sinavisa receberão um alerta imediato e poderão agir de forma mais rápida no recolhimento do produto no mercado”, diz Erthal.
Qualquer município que desejar ter acesso a essa ferramenta pode solicitar, de forma gratuita, treinamento e acesso ao sistema para a Anvisa. “Já estamos sendo procurados e vamos realizar treinamentos onde for preciso, pois a idéia é que os municípios e estados do Brasil utilizem o Sinavisa”, complementa o diretor adjunto da Anvisa.
REFORMULAÇÃO
Atualmente, o Sinavisa passa por um processo de reformulação e melhoria, para que seja de fácil uso por parte dos gestores de vigilância sanitária nos estados e municípios. “Estamos trabalhando para a simplificação do sistema a fim de torná-lo mais usual e não existir mais erros no funcionamento do software”, afirma o gestor do Sinavisa em Alagoas, Fernando da Gama.
Em uma segunda etapa, a população poderá ter acesso a alguns dados do sistema. “Da mesma forma que o alvará sanitário deve ser exposto ao público, o cidadão poderá consultar qual a situação dos estabelecimentos que ele freqüenta, pela internet”, explica a gestora do Sinavisa no Rio Grande do Norte, Sandra Rodrigues da Silva.
EXEMPLOS DE SUCESSO
No Espírito Santo, o Sinavisa já funciona em todos os municípios. Para a gestora do programa no estado, Alice Batista, a alta adesão se deve ao trabalho de sensibilização e realização de convênios junto aos municípios. “No nosso estado não havia nenhum sistema e com o Sinavisa foi possível cadastrar todos os estabelecimentos do estado e saber a situação sanitária de cada um deles”, assegura a Alice.
Outro exemplo de adesão total ao sistema foi no Mato Grosso do Sul. Lá, a gestora do Sinavisa, Gisele Cardozo, percorreu todo o estado para realizar o cadastro dos estabelecimentos sujeitos a vigilância sanitária e realizou oficina com os 78 municípios para divulgar o sistema. “Hoje temos um sistema com informações confiáveis e fidedignas em 100% do estado, fato que não existia”, comenta Gisele.
Em Tocantins, 37 cidades já utilizam o sistema e até o final de 2010 estará presente em 70% do estado. “Apesar das distâncias dos municípios, vamos fazer um pólo em cidades de melhor estrutura e convidar os municípios vizinhos para implementar o programa”, afirma Marcelo Gonçalves, gestora do Sinavisa no estado.
Informações: Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa
TAMIFLU ESTÁ NA BERLINDA
04/11/2009 - Correio Braziliense
Jornalista: Alana Rizzo
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concluiu a análise das reações provocadas pelo Tamiflu, medicamento usado no tratamento da gripe suína. De acordo com o relatório, a cada mil pacientes que usaram o remédio, sete apresentaram algum tipo de queixa. Das 104 notificações encaminhadas ao órgão entre maio a setembro, 39 foram consideradas graves, cinco envolveram a morte do paciente e outras cinco não foram classificadas. De acordo com a Anvisa, não é possível afirmar que os óbitos tiveram relação com o uso do medicamento.
“Ainda não temos como avaliar os dados desse primeiro informe técnico. Temos que aguardar novos boletins, que serão elaborados mensalmente”, afirma a gerente substituta de Farmacovigilância, Patrícia Figueiredo, reforçando a recomendação de manter o acompanhamento de novos casos. Gestantes terão maior cuidado, inclusive aquelas que já não estão usando a substância. Atualmente, quatro grávidas estão sendo monitoradas. Entre os casos que foram registrados reações, três eram em gestantes.
No Brasil, segundo o informe, a situação de epidemia aumentou a utilização de antivirais, potencializando o aparecimento de eventos adversos relacionados a tais medicamentos. “O oseltvamivir (princípio ativo do Tamiflu) é um produto novo e que ainda não conhecemos o perfil”, lembra Patrícia. Entre as reclamações, 45% foram de transtornos gastrointestinais, seguidos por problemas de pele (15,4%).
O número de notificações em que não se sabe a evolução do caso é alto, cerca de 19%, o que levou o órgão a cobrar melhor preenchimento dos dados pelos responsáveis pelas vigilâncias municipais e estaduais.
O NÚMERO
104 - Número de notificações encaminhadas à Anvisa entre maio e setembro relatando reações devido ao uso do Tamiflu.
UM ESTRANHO MERCADO
04/11/2009 - Revista Veja
Jornalista: Adriana Dias Lopes
Em busca de clientes, os bancos particulares de sangue de cordão umbilical recorrem a estratégias agressivas de marketing.
Nos últimos cinco anos, o Brasil registrou um crescimento extraodinário no número de bancos para o armazenamento de sangue do cordão umbilical. Riquíssimo em células-tronco, aquelas com capacidade de formar vários tecidos e órgãos do corpo humano, o sangue do cordão umbilical pode ser congelado em vinte centros – praticamente o triplo em relação a 2004. O aumento mais estrondoso ocorreu entre os bancos privados, responsáveis hoje pela manutenção de 70% de todas as amostras do país. O interesse dos brasileiros em guardar o sangue do cordão umbilical de seus bebês foi em grande parte despertado pelo marketing agressivo dos bancos particulares. A estratégia publicitária é bastante simples: sugere a ideia de que aquele tantinho de sangue, coletado rapidamente, ali mesmo na sala de parto, funciona como uma espécie de seguro-saúde, sem prazo de validade. No futuro, se o recém-nascido vier a sofrer de doenças graves, como leucemia, linfoma, diabetes, Alzheimer, Parkinson ou derrame, o sangue de seu cordão umbilical poderá representar a diferença entre a cura e uma vida de sofrimento – aventam os anúncios. Tudo isso por, em média, 3 500 reais pela coleta e 500 reais de anuidade. Quem resiste a uma promessa dessas?
A bióloga Tatiana da Costa Silva, de 31 anos, é testemunha de como as investidas dos bancos privados de sangue de cordão umbilical vêm se acirrando. Há cinco anos, depois de preencher os documentos necessários para o parto de Felipe, seu primeiro filho, ela foi abordada no saguão da maternidade por uma vendedora de um desses centros privados. A mocinha falou sobre a importância de Tatiana pensar no futuro da criança, garantiu facilidades no pagamento e mostrou um folheto com fotografias de celebridades que, zelosas da saúde de seus pimpolhos, optaram por preservar o sangue do cordão umbilical. "Além de constrangedora, essa abordagem é desrespeitosa", diz a bióloga. "O assédio dos vendedores acontece num momento de vulnerabilidade emocional do casal, quando a mulher está prestes a dar à luz." Três anos atrás, ao engravidar de Beatriz, Tatiana notou que o cerco havia se intensificado. No pré-natal, aonde quer que ela fosse, encontrava sempre o folheto de algum banco de cordão. Era no consultório do obstetra, nos laboratórios, nas clínicas de exames de imagem... "Eu só não aceitei porque sou bióloga e entendo um pouco de células-tronco", diz Tatiana. "Do contrário, teria sucumbido facilmente."
O sangue extraído do cordão umbilical é de fato rico em células-tronco. Mas em um tipo de células-tronco, as hematopoiéticas. Até agora, as pesquisas científicas mostraram que elas têm o poder de se transformar somente em células sanguíneas. De cerca de 500.000 células-tronco encontradas em 100 mililitros de sangue do cordão umbilical, apenas 0,1% pertence ao grupo das mesenquimais, que têm potencial para originar células de gordura, músculo, cartilagem e ossos. "Trata-se de um volume extremamente reduzido para surtir algum efeito terapêutico", diz a geneticista Mayana Zatz, pesquisadora da Universidade de São Paulo. Não bastasse a pequena quantidade de mesenquimais, nem todo cordão umbilical contém esse tipo de célula-tronco. Em um estudo publicado em 2008 na revista americana Stem Cells, Mayana demonstrou que, de cada dez amostras de sangue de cordão umbilical, só uma contém células mesenquimais. "O único uso clínico para o sangue de cordão umbilical comprovado até agora é o tratamento das doenças do sangue", afirma a geneticista.
Todos os anos, cerca de 10 000 brasileiros recebem o diagnóstico de alguma doença do sangue, como leucemia, linfoma e mieloma, entre outras. Para 6.000 deles, o tratamento é a substituição das células sanguíneas doentes por células sadias. Essa troca pode ser feita tanto pelo uso de células-tronco do sangue do cordão umbilical quanto pelo transplante de medula óssea, a estrutura responsável pela fabricação de sangue. Ao recorrerem a um banco particular, os pais estão teoricamente garantindo a seus filhos um tratamento sem o risco de rejeição e sem demora, já que elimina a necessidade de um doador. Há que levar em conta, no entanto, que pelo menos 30% das doenças do sangue são de origem genética. Nesse caso, é grande a probabilidade de que as células-tronco coletadas na sala de parto também estejam doentes e, por isso, não possam ser usadas. Além disso, o volume de células-tronco disponível no sangue de um cordão umbilical é suficiente para o tratamento de pessoas com no máximo 50 quilos. Quem opta por estocar o sangue de cordão umbilical num centro particular tem de fazê-lo ciente de que aquele punhado de células-tronco, congelado em galões de nitrogênio líquido a 196 graus negativos, não é garantia de cura para todos os males – como, muitas vezes, alardeiam os vendedores nas maternidades, clínicas, consultórios...
UM GRANDE PASSO PARA A SAÚDE
Paulo Chapchap
Cirurgião especialista em transplantes de fígado, superintendente de Estratégia Corporativa do Hospital Sírio-Libanês.
O Sistema Único de Saúde (SUS), com pouco mais de 20 anos, representou um grande salto para a saúde pública no Brasil. Com ele, deixamos para trás um modelo que atendia apenas alguns cidadãos, em detrimento de milhões de pessoas a quem o Estado simplesmente negava assistência.
É possível imaginar, portanto, a mudança de paradigma trazida pela Constituição Federal de 1988, que instituiu a universalização do acesso aos serviços de saúde como direito do cidadão e dever do Estado. Pode-se dizer que essa alteração substancial foi um dos maiores programas de inclusão social pelo qual passamos em nossa história recente.
É claro que, visto exclusivamente com os olhos de hoje, o SUS apresenta uma série de desafios. Mas é preciso analisar o passado e estar atento ao futuro para perceber que estamos passando por uma mudança significativa em dois dos pontos mais sensíveis do serviço público de saúde: a eficiência e a qualidade do atendimento.
Isso tem sido possível através de uma série de ações do poder público, mas também a partir do novo modelo de parceria adotado pelo Ministério da Saúde com seis instituições filantrópicas de saúde: os hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein, Samaritano, Oswaldo Cruz, HCor e Moinhos de Vento.
Historicamente, essas entidades desempenharam papel importante no atendimento aos cidadãos de baixa renda, prestando assistência médica como contrapartida obrigatória à isenção fiscal que recebem em decorrência da legislação. Mas essa atuação, apesar de importante, nunca alcançou o pleno potencial de retribuição à população.
Os recursos que os seis hospitais recebem em razão da medicina de ponta que oferecem, somados aos benefícios fiscais de sua filantropia, são aplicados integralmente em benefício público, por meio do ensino e da pesquisa, e no desenvolvimento de sua atividade. Esse grupo gera novos padrões de referência que são perseguidos pelas demais instituições públicas e particulares.
Por seu lado, principalmente no caso dos hospitais públicos, a falta de recursos sempre foi um obstáculo a essa evolução, fato que começou a ser enfrentado de maneira inovadora no ano passado. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assinou termos de ajustes, em 17 de novembro de 2008, e modificou o modelo de relacionamento com as seis instituições filantrópicas de excelência, com a adoção de projetos a serem implantados em conjunto com o Ministério da Saúde.
São 114 projetos, envolvendo incorporação de tecnologias, capacitação profissional, pesquisas científicas, consultorias na área de gestão e humanização, com início nos próximos três anos. Não se trata de meras cartas de intenções, mas de programas com investimentos definidos e metas a serem atingidas, o que em última análise também aumenta a transparência e facilita a fiscalização pelas autoridades.
As melhores práticas de gestão hospitalar estão sendo, pouco a pouco, colocadas à disposição da população mais carente. A sociedade está recebendo de volta a importante isenção fiscal que concede a esses hospitais.
É importante destacar que esse retorno não ocorre apenas por meio da assistência em saúde, algo que permanece essencial em nosso país, mas que é muito difícil de mensurar. Estamos falando de troca de informações e treinamento para a utilização de ferramentas típicas das corporações empresariais privadas.
Além disso, profissionais de saúde de todo o Brasil estão sendo capacitados nas áreas clínica, intensivista, de emergência, enfermagem, oncologia, transplantes, pesquisa clínica, entre outras. Isso tudo com a adoção da mais avançada tecnologia, inclusive com o emprego dos recursos de telemedicina, garantindo a participação dos alunos à distância, sem que precisem abandonar seus postos de trabalho, mesmo os mais longínquos.
Recentemente, as parcerias público-privadas por meio do modelo de organizações sociais também têm garantido a renovação dos hospitais públicos e a gestão das unidades, passando pelo treinamento de profissionais, traduzindo maior eficiência e economia de recursos. Aparelhos do estado e da Prefeitura de São Paulo geridos dentro desse modelo já apresentam excelentes resultados.
A abrangência cada vez maior de serviços de excelência, com acesso facilitado da população, contribuirá para a construção de um sistema de saúde condizente com os princípios existentes em nossa Constituição Federal e com o espírito do nosso povo.
Correio Braziliense
Opinião
04/11/2009 - 09h04
VACINA CONTRA MALÁRIA DEVE ESTAR PRONTA EM CINCO ANOS
da France Presse, em Nairóbi
A vacina contra a malária, cuja última fase de teste está em curso desde maio passado em sete países africanos, poderá ser patenteada dentro de três a cinco anos, disseram cientistas e especialistas reunidos em Nairóbi na terça-feira (3).
No terceiro dia da 5ª Conferência da Iniciativa Multilateral sobre a Malária, mais de 1.000 especialistas avaliaram os progressos na pesquisa da vacina RTS,S, desenvolvida pelo programa Malaria Vaccine Initiative (MVI) e pelo laboratório GlaxoSmithKline Biologicals (GSK Bio).
Os resultados da segunda fase de testes desta vacina, publicados no ano passado, mostraram uma eficácia de 53% entre bebês.
A terceira fase de testes clínicos está em processo em Burkina Faso, Gabão, Gana, Quênia, Malawi, Moçambique e Tanzânia, com a participação de 16 mil crianças com entre seis semanas e 17 meses.
A atual fase avalia, principalmente, os efeitos colaterais da futura vacina, destinada prioritariamente aos bebês e às crianças com menos de cinco anos, os mais vulneráveis à malária.
"É um momento extraordinário na luta contra a malária, e um momento forte em mais de duas décadas de pesquisas, incluindo dez anos de testes clínicos na África", disse o doutor Joe Cohen, um dos criadores da RTS,S e pesquisador no GSK Bio.
"Estamos muito satisfeitos com o desenvolvimento desta fase três", destacou Cohen.
"Pensamos e esperamos que em entre três e cinco anos a vacina já poderá ser produzida. Tudo isto dependerá, evidentemente, da fase três, mas também da velocidade das autoridades reguladoras sobre o assunto", explicou o pesquisador.
"Em caso de sucesso, a RTS,S será a primeira geração de vacinas contra a malária com eficiência de 50% e com proteção superior a um ano", segundo o MVI.
Em 2006, a comunidade internacional fixou um objetivo a longo prazo, até 2025, para a produção de uma vacina para a malária com 80% de eficácia contra as formas menos severas da doença, e com uma duração de mais de quatro anos.
A Malaria Vaccine Initiative, criada pela organização não governamental PATH, é um programa mundial financiado principalmente pela Fundação Bill e Melinda Gates.
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