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sexta-feira, 29 de maio de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
10 anos de genéricos
Após dez anos de genéricos, Anvisa defende aumento da venda no país
da Agência Brasil
Apesar de considerar os 18% de participação dos genéricos no mercado farmacêutico um bom desempenho nos últimos dez anos, o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Dirceu Raposo, admite que ainda há desconhecimento e resistência por parte da população na hora de abrir mão do chamado medicamento de referência pelo mais barato.
Em entrevista à Agência Brasil, ele avaliou que a prevalência das marcas sobre os genéricos no Brasil é uma questão "meramente educacional". Raposo cobrou maior esforço por parte dos médicos na hora de prescrever os medicamentos e também dos farmacêuticos para que, durante o atendimento, façam menção à disponibilidade do remédio mais barato.
"É importantíssimo que o médico, ao prescrever, deixe claro que qualquer um desses dois tipos de medicamento pode atender à necessidade de tratamento. Para que o paciente saiba que tem à disposição medicamentos com a mesma qualidade, eficácia e segurança que o de marca que, na maioria das vezes, custa mais caro."
O presidente da Anvisa afirmou ainda que é preciso maior divulgação dos genéricos por parte dos próprios fabricantes, mas atribuiu a representação de 18% do remédio no mercado farmacêutico ao período de implantação, considerado curto.
Raposo lembrou que em países europeus e da América do Norte, os genéricos são comercializados há cerca de 30 anos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a venda de medicamentos mais baratos representa 50% do mercado farmacêutico.
"Por ser a cópia de um produto que já existe no mercado, o genérico tem algumas vantagens do ponto de vista econômico também para o fabricante. Não precisa investir em pesquisa, chegar à classe média mostrando suas capacidades terapêuticas."
Ao comentar a resistência de médicos brasileiros a prescrever diretamente o medicamento mais barato, ele afirmou que a situação era pior quando a Lei 9.787 --que dispõe sobre genérico-- foi criada, em 10 de fevereiro de 1999. Raposo afirma que o medicamento é equivalente do ponto de vista terapêutico e que tanto o processo de tratamento quanto o resultado final são os mesmos nos dois casos.
Entretanto, a Anvisa adverte que o médico, ao prescrever medicamentos, pode proibir a substituição do remédio de marca pelo genérico. Mas a proibição só é válida caso haja o aviso por escrito na receita médica.
"Está previsto na lei que o farmacêutico pode fazer a substituição do medicamento prescrito pelo genérico correspondente. É importante que a população aprenda e acostume-se a procurar o farmacêutico. Toda farmácia no Brasil tem que ter farmacêutico à disposição. Se não tiver, o paciente tem que virar as costas e procurar outra", afirmou.
Raposo lembrou que os fabricantes de genéricos sobrevivem do vencimento de patentes dos medicamentos de referência e que, para os próximos anos, a previsão é de que novos produtos entrem no mercado farmacêutico brasileiro. Os destaques entre eles são a versão genérica do Viagra e medicamentos para o sistema nervoso central.
Robo na manipulação
Framingham - Braço robótico será o responsável por misturar componentes, eliminando erros humanos e protegendo técnicos de riscos.
O Hospital da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos, começa este mês a utilizar o robô CytoCare para manipular remédios de quimioterapia. A máquina elimina os erros humanos e protege os técnicos de componentes altamente perigosos.
Esta é a primeira vez que o robô será usado para este fim nos EUA, segundo o vice-presidente da Primus Innovations, Shaw Riley. A empresa colabora com aHealth Robotics, criadora do robô, para distribuir a tecnologia - já utilizada na Europa. Há 50 robôs pelo mundo.
Veja também:
> Fotos: Robô-cirurgião
> Fotos: Robô-paciente
“Ele não erra. Farmacêuticos e técnicos são como todos os humanos, que erram. Apenas um ponto decimal errado em um cálculo pode ser uma overdose de dez vezes para um paciente - o que é muito perigoso”, afirma a diretora de farmácia do hospital, Nancy Stolpman. O local administra químicas de 80 a 100 pacientes por dia.
“Tentamos induzi-lo a erros, mas não podemos enganá-lo. Ele possui diversas checagens de segurança”, acrescenta.
O robô usa sua mão robótica para pesar e misturar os componentes. Os objetos utilizados são jogados em um container de lixo para não serem tocados, e a máquina alerta este está quase vazio - e então o fecha e sela.
Recentemente, cientistas utilizaram inteligência artificial para criar a mão robótica perfeita.
Os códigos de barra da embalagem são checados para a confirmação de seu conteúdo, e uma segunda checagem é feita quando o robô coloca o remédio em uma plataforma que o fotografa e compara as imagens com outras armazenadas em uma base de dados.
O modelo de terceira geração foi aprovado pela Administração federal de Alimentos e Medicamentos no final de 2006.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Fonte Manual MERCK
Analgésicos e anti-inflamatórios
Os analgésicos de venda livre (sem prescrição médica), como a aspirina, o ibuprofeno, o quetoprofeno, o naproxeno e o paracetamol (acetaminofeno) são seguros se administrados durante períodos breves. Todos, excepto o paracetamol, reduzem também a inflamação e estão catalogados como fármacos anti-inflamatórios não esteróides (AINE). Os seus rótulos aconselham evitar o seu uso durante mais de 7 a 10 dias. Deve consultar-se o médico se os sintomas piorarem ou não desaparecerem.
Aspirina
O analgésico de venda sem prescrição médica mais antigo e barato é a aspirina (ácido acetilsalicílico). A aspirina e outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides bloqueiam o enzima cicloxigenase, que é crucial para a criação de prostaglandinas. As prostaglandinas são substâncias semelhantes às hormonas, que alteram o diâmetro dos vasos sanguíneos, elevam a temperatura corporal como resposta à infecção e desempenham um papel crucial na coagulação do sangue, para além de outros efeitos. A libertação no organismo de prostaglandinas, como resposta a uma lesão (queimadura, ruptura, entorse ou distensão muscular) produz inflamação, avermelhamento e inchaço.
Dado que as prostaglandinas desempenham um papel protector do aparelho digestivo contra o ácido gástrico, tomar aspirina ou um fármaco similar pode causar perturbações gastrointestinais, úlceras e hemorragias. Todos os fármacos anti-inflamatórios não esteróides, incluindo a aspirina, podem causar acidez, indigestão e úlceras pépticas.
Os compostos com tampões podem diminuir os efeitos irritativos directos da aspirina. Estes produtos contêm um antiácido, que cria um meio alcalino que intensifica a dissolução da aspirina e pode reduzir o tempo durante o qual a aspirina está em contacto com o estômago. No entanto, dado que o tampão não pode contrariar a redução das prostaglandinas, a aspirina pode ainda irritar o estômago.
A aspirina com invólucro entérico foi fabricada para passar intacta através do estômago e dissolver-se no intestino delgado, minimizando a irritação directa. No entanto, a aspirina revestida deste modo é absorvida irregularmente. É provável que a ingestão de alimentos retarde o esvaziamento do estômago e, portanto, atrase a absorção deste tipo de aspirina e o alívio da dor.
Dado que a aspirina pode interferir na coagulação do sangue, os doentes que a tomam apresentam um risco maior de hemorragias. As pessoas que se lesionam com facilidade são especialmente vulneráveis. Qualquer doente com processos hemorrágicos ou pressão arterial elevada não controlada deve evitar a aspirina, excepto sob vigilância médica. Se se usarem simultaneamente aspirina e anticoagulantes (como a varfarina) pode provocar-se uma hemorragia grave. De modo geral, a aspirina não deve ser administrada durante a semana anterior a uma intervenção cirúrgica.
A aspirina também pode agravar a asma. Os doentes que sofrem de pólipos nasais têm tendência para desenvolver asma se tomarem aspirina. A alergia à aspirina pode produzir erupções cutâneas ou dificuldades graves na respiração. Em doses elevadas, a aspirina pode causar zumbidos nos ouvidos.
As crianças e os adolescentes que têm ou podem ter gripe ou varicela não devem tomar aspirina porque podem desenvolver a síndroma de Reye. Apesar de ser pouco frequente, a síndroma de Reye pode ter consequências graves, inclusive a morte. (Ver secção 23, capítulo 263).
Ibuprofeno, quetoprofeno e naproxeno
Em alguns países, o ibuprofeno foi reclassificado, passando de fármaco com prescrição médica a fármaco de venda livre, sem prescrição. O ibuprofeno com prescrição médica apresenta-se em comprimidos de 300, 400, 600 e 800 miligramas; o ibuprofeno sem prescrição só está disponível em comprimidos de 200 miligramas.
O quetoprofeno também foi aprovado como fármaco sem prescrição médica. O quetoprofeno com prescrição apresenta-se em cápsulas de 25, 50 e 75 miligramas e em cápsulas de libertação prolongada de 100 miligramas. O quetoprofeno sem prescrição médica só está disponível numa apresentação de 25 miligramas.
O naproxeno também foi aprovado como fármaco sem prescrição. O naproxeno com prescrição médica apresenta-se em fórmulas de 250, 375 e 500 miligramas. O naproxeno sem prescrição só está disponível na fórmula de 200 miligramas. A posologia e o modo de administração para o naproxeno sem prescrição médica recomendam que não se exceda a dose de 3 drageias cada 24 horas, salvo indicação médica. Os adultos com mais de 65 anos não devem tomar mais de uma drageia, de 12 em 12 horas, a menos que o médico indique o contrário.
De um modo geral, julga-se que o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno são mais suaves para o estômago do que a aspirina, embora poucos estudos tenham na realidade comparado estes fármacos. O ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno podem causar indigestão, náuseas, diarreia, acidez, dor de estômago e úlceras tal como a aspirina. Outros efeitos adversos incluem sonolência, vertigem, zumbidos nos ouvidos, perturbações visuais, retenção de água e dificuldades respiratórias. Embora o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno não prejudiquem mais a coagulação do sangue do que a aspirina, não se devem combinar com anticoagulantes como a varfarina, excepto sob estrita vigilância médica. Do mesmo modo, o controlo médico é necessário antes de administrar o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno a indivíduos com problemas renais ou hepáticos, insuficiência cardíaca ou tensão arterial elevada.
Alguns fármacos prescritos para o coração e para a pressão arterial não actuam tão bem se forem combinados com esses anti-inflamatórios. Os indivíduos que tomam bebidas alcoólicas regularmente podem correr maior risco de afecção do estômago, úlceras e disfunção hepática.
Os doentes alérgicos à aspirina também podem sê-lo ao ibuprofeno, ao quetoprofeno e ao naproxeno. As erupções cutâneas, picadas ou dificuldades de respiração requerem uma atenção médica imediata.
Paracetamol (acetaminofeno)
Comercializado, orginariamente, para a dor e a febre nas crianças, o paracetamol tornou-se um fármaco sem prescrição médica. O paracetamol é mais ou menos comparável à aspirina no seu potencial analgésico e acção antipirética, mas tem uma menor actividade anti-inflamatória que a aspirina, o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno. A via de actuação do paracetamol ainda não é conhecida com exactidão.
Novas investigações sugerem que o paracetamol proporciona, com frequência, alívio contra as dores da artrose. Num dos estudos, o paracetamol foi tão eficaz como o ibuprofeno em aliviar os sintomas de artrite no joelho. O paracetamol apresenta poucos efeitos adversos no estômago. Os doentes que não toleram a aspirina, o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno, toleram, com frequência, o paracetamol. A ausência de complicações no estômago levou alguns a considerar que o paracetamol não tem efeitos adversos. No entanto, se for administrado em doses elevadas durante períodos prolongados, podem correr-se alguns riscos, como, por exemplo, perturbações renais. O uso regular de outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides, excepção feita à aspirina, pode aumentar também o risco de doenças renais.
Uma sobredosagem de mais de 15 g de paracetamol pode produzir uma lesão hepática irreversível. Doses menores durante períodos prolongados de tempo não implicam lesões graves do fígado. Os consumidores de quantidades importantes de álcool apresentam maior risco de afecções hepáticas pelo uso exagerado de paracetamol. O jejum pode contribuir para a lesão hepática. É necessária uma investigação adicional, mas as observações até agora sugerem que as pessoas que tomam paracetamol e deixam de comer por causa de um forte resfriado ou de uma gripe podem apresentar lesões do fígado.
Muitos produtos de venda sem prescrição médica, como os remédios contra alergias, resfriados, tosse, gripe, dor e sinusite contêm paracetamol. Deve-se evitar tomar simultaneamente vários fármacos que contenham paracetamol.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
over-the-counter
OTC Genéricos Medley têm novas embalagens
Empresa modifica lay-out e aprimora a comunicação de seus medicamentos genéricos isentos de prescrição médica
A Medley Indústria Farmacêutica, líder no segmento de medicamentos genéricos, com 31,79% do mercado (IMS Health – mar. 06), o maior índice da categoria nos últimos quatro anos, está colocando no mercado as novas embalagens de seus medicamentos OTC genéricos ("Over the counter"), que são isentos de prescrição médica. As embalagens foram desenvolvidas pela Future Brand, empresa especializada em consultoria de marca.
Entre os medicamentos que estão com nova “cara”, encontram-se alguns campeões de venda, como: dimeticona genérico em comprimidos, (combate o desconforto causado por gases no estômago); paracetamol comprimidos caixa display (para o alívio de dores e febres); acetilcisteína (expectorante); dipirona sódica (alívio de dores e febres); cloridrato de terbinafina (tratamento de frieiras e micoses); nistatina + oxido de zinco (pomada para assaduras); clotrimazol (creme para micoses); nitrato de miconazol (loção para micoses); butilbrometo de escopolamina + dipirona sódica (alívio de cólicas) e loratadina (antialérgico).
Ao todo, são 21 produtos em 40 apresentações diferentes, que cobrem muitas patologias presentes no dia a dia da população, tais como: dor e febre (analgésicos), tosses e alergias (xaropes), contusões (pomadas), contra cólica e gases (problemas digestivos), micoses (cremes e loções), assaduras (pomada) e hemorróidas (creme).
Segundo Ivo Petroni, gerente de produto da Medley, “as novas embalagens dos genéricos OTC da empresa visam facilitar a correta identificação dos medicamentos, já que todas as informações referentes às indicações do produto, sintomas e benefícios, modo de uso (posologia), estão em linguagem e formato mais claro aos consumidores”, afirma.
“Trata-se de mais um trabalho que segue o principal objetivo da corporação: Promover a saúde e o bem-estar do ser humano”, completa o executivo.
Mercado
O mercado de medicamentos OTC movimenta cerca de R$ 1,8 bilhões por ano. Os genéricos OTC já representam cerca de 10% do mercado e devem aumentar a participação nos próximos anos. No desempenho da Medley, os genéricos OTC são responsáveis por 11% do faturamento da empresa que pretende lançar 25 novos produtos em 2006.
Sobre a Medley
Nos últimos cinco anos, a Medley conquistou 23 posições no mercado, alcançando o sexto lugar no ranking geral das indústrias farmacêuticas instaladas no país, ou o terceiro, quando se consideram apenas as empresas de capital nacional. Líder em medicamentos genéricos, desde 2002, com cerca de 31,79% (IMS Health – mar.06) do mercado e dez de seus remédios entre os vinte mais vendidos no segmento, a Medley também tem tradição na parceria com grandes empresas do setor e forte atuação nas áreas de ginecologia, endocrinologia, dermatologia, gastroenterologia, cardiologia e urologia.
Mais informações:
Attachée de Presse Comunicação
Armando Martinelli Neto - (19) 3708-8552
Ana Paula Aido – (11) 3385 3385
SEM RECEITA
Farmacêuticos vendem antibiótico sem receita médica
Folha de São Paulo - 6 de fevereiro de 2009
Quase sete em cada dez farmacêuticos vendem antibióticos e anti-inflamatórios sem receita médica, revela pesquisa inédita do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo). Dos 2.769 entrevistados, 68% admitem a venda sem prescrição.
O recebimento de comissões dos laboratórios e a obrigação de cumprir metas de vendas de remédios foram relatados por 15% dos farmacêuticos. Nessa prática -chamada de empurroterapia-, o profissional indica remédios similares no lugar dos de marca ou dos genéricos em troca de comissões pagas pelos laboratórios fabricantes.
Mais de um terço (38%) dos entrevistados afirmou ter substituído um genérico por um similar, o que é vetado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A legislação permite que o farmacêutico (não o balconista) indique um remédio genérico em substituição a um de marca. Mas é proibido substituir uma droga de marca ou genérica pela similar.
O remédio similar possui um ou mais princípios ativos iguais aos da droga de referência e tem registro no Ministério da Saúde, mas não há comprovação de que seja absorvido em igual quantidade e na mesma velocidade pelo organismo -o que ocorre com o genérico.
No levantamento feito entre junho e setembro do ano passado, ao qual a Folha teve acesso com exclusividade, os farmacêuticos responderam a perguntas formuladas pelo CRF-SP, mas não se identificaram.
Ação educativa
Apesar de ter o poder de punição -até de suspender o registro profissional do farmacêutico-, o conselho defende uma "ação educativa". No Estado de São Paulo, há 40 mil farmacêuticos, o que representa um terço da categoria no Brasil.
"Nosso objetivo nesse primeiro momento não foi punição, foi conhecer a realidade das farmácias, promover uma discussão e propor intervenções. Se chegássemos com a fiscalização e fizéssemos as mesmas perguntas, ninguém iria admitir as irregularidades", diz o vice-presidente do CRF-SP, Marcelo Polacow Bisson.
Segundo ele, o farmacêutico é apenas um dos atores de uma cadeia que também envolve a pressão comercial das drogarias, das distribuidoras e da indústria farmacêutica, além da falta de fiscalização. "Seria injusto só punir o farmacêutico. Todo mundo sabe que a situação existe. Estamos assumindo essa postura, aceitando ser vidraça. Queremos uma farmácia mais ética e que a sociedade participe dessa discussão."
A empurroterapia não é novidade no setor de medicamentos. Em dezembro, a Abimip (Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição) denunciou a prática à Anvisa, apresentando um documento de um laboratório de similares com uma lista de medicamentos que deveriam ser "empurrados" pelas farmácias no caso de o consumidor pedir um genérico ou medicamento de marca.
Segundo a Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), que congrega as 23 maiores redes do país, a empurroterapia ocorre com mais intensidade em estabelecimentos de bairros de classe média, média baixa, periferias e no interior do país. A Abrafarma se diz totalmente contra a prática e afirma que a maioria das grandes redes nem sequer trabalha com os remédios similares para evitar problemas desse tipo.
"Isso vem se intensificando porque falta fiscalização. Quanto mais você regulamenta um setor da economia e menos o fiscaliza, mais induz a economia à informalidade", defende Sálvio Di Girólamo, secretário-geral da Abimip.
Anvisa
O presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, discorda que o problema seja falta de fiscalização e afirma que a questão é de fundo ético. "A vigilância sanitária já impôs uma restrição. Não é obrigação dela fiscalizar se o produto está sendo vendido sem receita. Ninguém faz isso se tiver um órgão [no caso o próprio CRF] coibindo a prática. Para algumas indústrias, interessa que seu produto seja vendido sem receita, que seja uma questão comercial."
Na sua opinião, novas medidas -como a lei de autenticidade e rastreabilidade e o sistema nacional de gerenciamento de produtos controlados- vão possibilitar, em dois ou três anos, que a Anvisa saiba quanto remédio o laboratório fabricou, para quais distribuidoras ele entregou, quais farmácias compraram e, por último, para quem o remédio foi vendido.
"Poderei controlar qualquer produto, inclusive antibióticos, e saber se teve receita ou não." Sobre a empurroterapia, ele defende que o Ministério Público apure a prática porque ela fere um direito do consumidor.