sexta-feira, 22 de maio de 2009

Fonte Manual MERCK

Analgésicos e anti-inflamatórios


Os analgésicos de venda livre (sem prescrição médica), como a aspirina, o ibuprofeno, o quetoprofeno, o naproxeno e o paracetamol (acetaminofeno) são seguros se administrados durante períodos breves. Todos, excepto o paracetamol, reduzem também a inflamação e estão catalogados como fármacos anti-inflamatórios não esteróides (AINE). Os seus rótulos aconselham evitar o seu uso durante mais de 7 a 10 dias. Deve consultar-se o médico se os sintomas piorarem ou não desaparecerem.

Aspirina

O analgésico de venda sem prescrição médica mais antigo e barato é a aspirina (ácido acetilsalicílico). A aspirina e outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides bloqueiam o enzima cicloxigenase, que é crucial para a criação de prostaglandinas. As prostaglandinas são substâncias semelhantes às hormonas, que alteram o diâmetro dos vasos sanguíneos, elevam a temperatura corporal como resposta à infecção e desempenham um papel crucial na coagulação do sangue, para além de outros efeitos. A libertação no organismo de prostaglandinas, como resposta a uma lesão (queimadura, ruptura, entorse ou distensão muscular) produz inflamação, avermelhamento e inchaço.

Dado que as prostaglandinas desempenham um papel protector do aparelho digestivo contra o ácido gástrico, tomar aspirina ou um fármaco similar pode causar perturbações gastrointestinais, úlceras e hemorragias. Todos os fármacos anti-inflamatórios não esteróides, incluindo a aspirina, podem causar acidez, indigestão e úlceras pépticas.

Os compostos com tampões podem diminuir os efeitos irritativos directos da aspirina. Estes produtos contêm um antiácido, que cria um meio alcalino que intensifica a dissolução da aspirina e pode reduzir o tempo durante o qual a aspirina está em contacto com o estômago. No entanto, dado que o tampão não pode contrariar a redução das prostaglandinas, a aspirina pode ainda irritar o estômago.

A aspirina com invólucro entérico foi fabricada para passar intacta através do estômago e dissolver-se no intestino delgado, minimizando a irritação directa. No entanto, a aspirina revestida deste modo é absorvida irregularmente. É provável que a ingestão de alimentos retarde o esvaziamento do estômago e, portanto, atrase a absorção deste tipo de aspirina e o alívio da dor.

Dado que a aspirina pode interferir na coagulação do sangue, os doentes que a tomam apresentam um risco maior de hemorragias. As pessoas que se lesionam com facilidade são especialmente vulneráveis. Qualquer doente com processos hemorrágicos ou pressão arterial elevada não controlada deve evitar a aspirina, excepto sob vigilância médica. Se se usarem simultaneamente aspirina e anticoagulantes (como a varfarina) pode provocar-se uma hemorragia grave. De modo geral, a aspirina não deve ser administrada durante a semana anterior a uma intervenção cirúrgica.

A aspirina também pode agravar a asma. Os doentes que sofrem de pólipos nasais têm tendência para desenvolver asma se tomarem aspirina. A alergia à aspirina pode produzir erupções cutâneas ou dificuldades graves na respiração. Em doses elevadas, a aspirina pode causar zumbidos nos ouvidos.

As crianças e os adolescentes que têm ou podem ter gripe ou varicela não devem tomar aspirina porque podem desenvolver a síndroma de Reye. Apesar de ser pouco frequente, a síndroma de Reye pode ter consequências graves, inclusive a morte. (Ver secção 23, capítulo 263). 

Ibuprofeno, quetoprofeno e naproxeno

Em alguns países, o ibuprofeno foi reclassificado, passando de fármaco com prescrição médica a fármaco de venda livre, sem prescrição. O ibuprofeno com prescrição médica apresenta-se em comprimidos de 300, 400, 600 e 800 miligramas; o ibuprofeno sem prescrição só está disponível em comprimidos de 200 miligramas.

O quetoprofeno também foi aprovado como fármaco sem prescrição médica. O quetoprofeno com prescrição apresenta-se em cápsulas de 25, 50 e 75 miligramas e em cápsulas de libertação prolongada de 100 miligramas. O quetoprofeno sem prescrição médica só está disponível numa apresentação de 25 miligramas.

O naproxeno também foi aprovado como fármaco sem prescrição. O naproxeno com prescrição médica apresenta-se em fórmulas de 250, 375 e 500 miligramas. O naproxeno sem prescrição só está disponível na fórmula de 200 miligramas. A posologia e o modo de administração para o naproxeno sem prescrição médica recomendam que não se exceda a dose de 3 drageias cada 24 horas, salvo indicação médica. Os adultos com mais de 65 anos não devem tomar mais de uma drageia, de 12 em 12 horas, a menos que o médico indique o contrário.

De um modo geral, julga-se que o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno são mais suaves para o estômago do que a aspirina, embora poucos estudos tenham na realidade comparado estes fármacos. O ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno podem causar indigestão, náuseas, diarreia, acidez, dor de estômago e úlceras tal como a aspirina. Outros efeitos adversos incluem sonolência, vertigem, zumbidos nos ouvidos, perturbações visuais, retenção de água e dificuldades respiratórias. Embora o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno não prejudiquem mais a coagulação do sangue do que a aspirina, não se devem combinar com anticoagulantes como a varfarina, excepto sob estrita vigilância médica. Do mesmo modo, o controlo médico é necessário antes de administrar o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno a indivíduos com problemas renais ou hepáticos, insuficiência cardíaca ou tensão arterial elevada.

Alguns fármacos prescritos para o coração e para a pressão arterial não actuam tão bem se forem combinados com esses anti-inflamatórios. Os indivíduos que tomam bebidas alcoólicas regularmente podem correr maior risco de afecção do estômago, úlceras e disfunção hepática.

Os doentes alérgicos à aspirina também podem sê-lo ao ibuprofeno, ao quetoprofeno e ao naproxeno. As erupções cutâneas, picadas ou dificuldades de respiração requerem uma atenção médica imediata.

Paracetamol (acetaminofeno)

Comercializado, orginariamente, para a dor e a febre nas crianças, o paracetamol tornou-se um fármaco sem prescrição médica. O paracetamol é mais ou menos comparável à aspirina no seu potencial analgésico e acção antipirética, mas tem uma menor actividade anti-inflamatória que a aspirina, o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno. A via de actuação do paracetamol ainda não é conhecida com exactidão.

Novas investigações sugerem que o paracetamol proporciona, com frequência, alívio contra as dores da artrose. Num dos estudos, o paracetamol foi tão eficaz como o ibuprofeno em aliviar os sintomas de artrite no joelho. O paracetamol apresenta poucos efeitos adversos no estômago. Os doentes que não toleram a aspirina, o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno, toleram, com frequência, o paracetamol. A ausência de complicações no estômago levou alguns a considerar que o paracetamol não tem efeitos adversos. No entanto, se for administrado em doses elevadas durante períodos prolongados, podem correr-se alguns riscos, como, por exemplo, perturbações renais. O uso regular de outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides, excepção feita à aspirina, pode aumentar também o risco de doenças renais.

Uma sobredosagem de mais de 15 g de paracetamol pode produzir uma lesão hepática irreversível. Doses menores durante períodos prolongados de tempo não implicam lesões graves do fígado. Os consumidores de quantidades importantes de álcool apresentam maior risco de afecções hepáticas pelo uso exagerado de paracetamol. O jejum pode contribuir para a lesão hepática. É necessária uma investigação adicional, mas as observações até agora sugerem que as pessoas que tomam paracetamol e deixam de comer por causa de um forte resfriado ou de uma gripe podem apresentar lesões do fígado.

Muitos produtos de venda sem prescrição médica, como os remédios contra alergias, resfriados, tosse, gripe, dor e sinusite contêm paracetamol. Deve-se evitar tomar simultaneamente vários fármacos que contenham paracetamol.




Nenhum comentário: